Empresa, sociedade e tecnologia: sob a ótica sistêmica e econômica

Carla Regina Thomé Wedy 175 nam a fatores econômicos (como a limitação da jornada, o aumento da produtividade, o combate ao desemprego, as exigências da produção e a flexibilização das normas), biológicos (como a fixação de pausas e descansos visando prevenir a fadiga e garantir saúde e segurança), e sociais (como a busca por conciliar a vida profissional com a familiar). Importa notar que essas abordagens não seguem, necessariamente, uma ordem cronológica ou sucessiva, podendo coexistir no tempo e inspirar, de forma simultânea, diferentes normas jurídicas (Fonseca, 2019). À medida que novas tecnologias surgem, o mundo do trabalho também se transforma. Recursos como a internet, os smartphones, a inteligência artificial e outras tecnologias da informação e comunicação reduziram distâncias, diminuíram os custos operacionais das empresas e possibilitaram a prestação de serviços a qualquer hora e em qualquer lugar (Goldschmidt, 2020). Nos dizeres de Francisco Lozano Lares, nas últimas três décadas, vivenciamos um avanço acelerado nas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), acompanhado por progressos constantes na área de inteligência artificial, cenário este que possibilitou o surgimento de uma nova sociedade digital, caracterizada por uma conexão ininterrupta à Internet e pelo uso cotidiano de dispositivos eletrônicos rápidos, como por exemplo, smartphones (LARES, 2020). Ana Cláudia Moreira Cardoso refere que historicamente, o capital buscou separar o tempo de trabalho do tempo livre, tornando o labor contínuo e controlado. Para isso, adotou estratégias como retirar o trabalho do espaço doméstico, impor ritmos por meio de máquinas, reduzir salários para forçar jornadas longas, criar códigos de conduta, aplicar penalidades, intensificar a vigilância e, mais tarde, instituir o registro de ponto (Cardoso, 2016). A mesma autora, leciona que a partir da década de 1990 iniciou-se um movimento de reaproximação entre trabalho e não trabalho, tornando as fronteiras entre ambos difusas e dificultando a distinção entre tempo laboral e tempo livre (Cardoso, 2016). De fato, a internet e a telefonia móvel desempenham um papel significativo na ampliação da flexibilidade do tempo de trabalho, tornando mais nebulosas as fronteiras entre o que é tempo de trabalho e o que é tempo livre. O trabalho realizado de forma remota e conectado à rede confere ao profissional uma certa autonomia,

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