Empresa, sociedade e tecnologia: sob a ótica sistêmica e econômica

Nina Koja Cassal 69 -las com segurança, o que significa enorme risco10. Se tais inventos não tiverem testadas as suas potencialidades nocivas e agressivas emmeio à natureza e forem simplesmente distribuídos pelo mundo, cedendo a um mercado multibilionário sedento por novidades, sucumbir-se-á à velha tendência humana de priorizar o presente, em detrimento do futuro, utilizando de recursos naturais até seu esgotamento, em prol de necessidades imediatas. Tal tendência foi detectada por Hans Jonas, filósofo alemão que, ao repensar a ética antropocêntrica de Kant, concentrada no indivíduo e no presente, trouxe novas reflexões a respeito da relação do homem com a natureza e sua decorrente responsabilidade. A “nova ética” que sugere, baseia-se no fato de que são necessários novos princípios éticos para que se possa lidar com essa nova era de invenções tecnológicas capazes de transformar a natureza de maneira que antes não era possível. De acordo com o filósofo, “[...] as intervenções do homem na natureza [...] eram essencialmente superficiais e incapazes de causar danos ao seu permanente equilíbrio [...]”11 Atualmente, reconhece que a manipulação permitida pela tecnologia pode desestabilizar o equilíbrio natural. E, por assim entender, formulou os seguintes imperativos éticos: “age de tal maneira que os efeitos da tua ação não sejam destruidores da futura possibilidade dessa vida”12; “nas suas opções presentes, inclui a futura integridade do Homem entre os objetos da tua vontade”13; “não comprometas as condições de uma continuação indefinida da humanidade sobre a terra”14. Trata-se da ética do “dever ser”, algo que certamente merece reflexões no campo da nanotecnologia (embora não seja o foco desta pesquisa) e que representa a preocupação já no século XIX por parte de Hans Jonas de alertar sobre os perigos e 10 DREXLER, Eric. Engines of Creation: The Coming Era of Nanotechnology. New York: Anchor Books, 1986. p. 4. 11 JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para uma civilização tecnológica. Rio de Janeiro: PUC Rio, 2006. 12 JONAS, Hans. Técnica, medicina e ética. Sobre a prática do princípio responsabilidade. São Paulo: Paulus, 2013. p. 37. 13 Ibidem. 14 Ibidem.

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