Nina Koja Cassal 71 truídos nanossistemas com a capacidade de interagir com os níveis inferiores da organização biológica, como o DNA e células.19 Portanto, em meio a tantas oscilações, tem-se, pois, evidências de que não apenas os biossistemas, mas todos os organismos vivos e até mesmo o código genético humano está sujeito a alterações decorrentes da manipulação nanométrica das estruturas que compõem os produtos postos em circulação. O projeto da União Europeia intitulado “NANoREG”, que teve início do ano de 2014, reuniu um grupo de 180 especialistas de vários países para debater a relevância da regulamentação – fimmaior do projeto – e da necessidade de utilização do conhecimento gerado pela ciência nos últimos dez anos sobre nanotecnologia20. No encontro, foram ressaltados aspectos importantes a respeito da evolução das pesquisas até então realizadas, como a conclusão sobre qual tipo de nanotubo é capaz de atravessar as barreiras biológicas e acumular-se nas células, por exemplo. Entretanto, as dificuldades para que se obtenham resultados confiáveis começa na forma como devem ser feitos os testes. Estes são específicos para cada nanomaterial, o que faz com que os métodos sofram alterações e adaptações frequentes. Mesmo assim, pode-se avaliar que o estudo da nanotoxicidade ainda está bastante aquém do desejável e tem pauta muito mais restrita do que os demais estudos que envolvem nanopartículas. Endossa esta percepção pesquisa realizada por Antônio Carlos Guestaldi, engenheiro do Instituto de Química de Araraquara, que constatou que das 20.216 patentes internacionais sobre nanotecnologia encontradas até o ano de 2014, apenas 795 citavam a nanotoxicidade.21 Por outro lado, de 2001 a 2017 foram encontrados 139 artigos publicados no portal virtual do Laboratório de Química do Estado Sólido – LQES do Instituto de Química da Unicamp abordando o tema “nanoriscos”. Isto demonstra que já existe um considerável esforço da ciência em conhecer das possibilidades, dos riscos e do 19 MARTINEZ; ALVES, 2013, op cit. 20 OLIVEIRA, Marcos. Medidas Preventivas: estudos apresentam propostas para possíveis impactos de nanoprodutos na saúde humana e no meio ambiente. Pesquisa FAPESP, Boletim Eletrônico LQES, São Paulo, 2007. 21 Ibidem.
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