Nina Koja Cassal 77 destes materiais costumam ser potencializadas em escala nanométrica. Efeitos potencializados podem também intensificar a destruição, quiçá em larga escala, de maneira nunca antes vista. Daí a premência em abordar-se da logística reversa e da responsabilização conjunta dos agentes econômicos envolvidos, eis que: a nanotoxicidade surge na medida em que diversificados nanomateriais são sintetizados, manipulados e descartados em diferentes ambientes, sejam naturais, urbanos ou industriais, sem o devido controle e regulamentação. Alguns motivos para atenção e cautela com os nanomateriais são: a) crescente produção industrial (aumento do risco de exposição); b) elevada área superficial devido tamanho nanométrico (alta reatividade química); c) enorme diversidade composicional e estrutural (sínteses, preparações, modificações, funcionalizações, heterogeneidade e impurezas); d) ensaios toxicológicos tradicionais não estão adaptados e padronizados para nanomateriais.36 A nanotoxicidade, portanto, é um temeroso exemplo de risco do desenvolvimento que poderá emergir do descarte incorreto dos materiais junto ao meio ambiente, seja ele urbano ou industrial. Urge, por conseguinte, sejam implantados sistemas de controle, regulamentação e fiscalização pertinazes no sentido de refrear, o quanto antes, o avanço e a difusão dos efeitos tóxicos eventualmente lançados pelas nanopartículas.37 No entanto, esta não é tarefa simples. Foi preciso o desenvolvimento de critérios comuns para comparação, bem como para criação de abordagem completa daquilo que passou a ser chamado “ciclo de vida” do produto.38 Trata-se, pois, de uma abordagem “do berço ao túmulo”, que avalia os sistemas de produção.39 Esta avaliação foi padronizada pela International Organization for Standardization (ISO), que elaborou a ISO 14040 sobre a Ava36 MARTINEZ; ALVES, 2013, op cit. 37 “É importante mencionar que a presença dos nanomateriais no ambiente não significa que haverá sempre a manifestação e observação de efeitos adversos ou nocivos (tóxicos) a ele associados.” (MARTINEZ; ALVES, 2013, op cit.) 38 WILLERS, Camila Daniele; RODRIGUES, Luciano Brito; SILVA, Cristiano Alves da. Avaliação do ciclo de vida no Brasil: uma investigação nas principais bases científicas nacionais. Scientific Eletronic Library Online – Scielo, Itapetininga, BA, n. 2, v. 23, abr./jun. 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prod/ v23n2/aop_t6_0009_0533.pdf. Acesso em: 18 ago. 2025. 39 Ibidem.
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