24 sores colaborando com a repressão para a expulsão de colegas, como em 1964. Resgatar esses episódios hoje é, mais do que necessário, urgente. É preciso saber sobre a gravidade das consequências do arbítrio sobre pessoas e sobre instituições, quando garantias legais são destruídas, abrindo caminho às desforras individuais, a interesses escusos, a projetos individuais ou coletivos inconfessáveis, toda essa iniquidade em nome da defesa da pátria, da família e da moralidade. Manter viva a memória daqueles eventos, repeti-la sem tréguas, é fundamental para a garantia dos direitos dos cidadãos e a defesa da instituição Universidade e do papel que ela desempenha na produção de conhecimentos necessários para o desenvolvimento soberano do país, para o conhecimento de nossa história e dos obstáculos que nos impedem de sermos menos desiguais, menos violentos, mais democráticos. Defesa da universidade pública, da ampliação de sua acessibilidade aos setores desvalidos de nosso país, sempre dela alijados. Defesa do papel da universidade na produção e difusão da arte, da cultura, dos valores humanistas, democráticos, da tolerância com a diversidade, do debate que faz avançar ideias, da aceitação da dúvida e da recusa a certezas absolutas, impeditivas de realizar sua tarefa histórica. Que as palavras que encerram a apresentação da segunda edição do livro sobre os expurgos na UFRGS nos anos 1960, sintetizem a importância deste livro que agora vem a público: “Que esta obra sirva para reforçar a importância da recusa ao arbítrio e seus efeitos nefastos e limitadores, que disseminam a intolerância, sufocam a liberdade e propagam o medo”.
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