Infâncias na contemporaneidade

108 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade estrutural, especialmente no início da vida, comprometendo o presente e o futuro de milhares de crianças negras. “Estabelecer uma relação entre pobreza e raça, é se debruçar sobre uma relação dialética que desencadeia em inúmeros problemas sociais, culturais históricos e políticos” (Lima et al., 2023, p. 228). Isso quer dizer que pobreza e raça não são temas separados. Se quisermos estudar um desses temas faz-se necessário estudar o outro. “Assim pobreza constitui, junto com a raça, outra marca histórica da sociedade brasileira” (Pitombeira et al. 2019, p. 199). Quando as políticas públicas não são suficientes para romper o ciclo hegemônico e racista que promove e sustenta a desigualdade racial, torna-se urgente a adoção de ações mais específicas, efetivas e direcionadas. Se as leis estão falhando, e as pessoas que deveriam proteger estão deixando passar, a infância negra continua sendo a mais exposta à violação de direitos básicos, como alimentação adequada, moradia digna, saúde e educação. Isso impede que essas crianças sejam, de fato, crianças em sua totalidade, impossibilitando-as de viver a infância de forma plena. As duas figuras abaixo: Figura 1 e Figura 2, foram extraídas da página 17 do estudo “A pobreza infantil no Brasil: um retrato das desigualdades” (PUCRS, 2024). – e revelam, com base em dados do IBGE, a profunda desigualdade racial na infância brasileira, ao se observar as condições de pobreza e extrema pobreza entre crianças de 0 a 6 anos, no período de 2012 a 2021. Já no gráfico a seguir, figura 3, mostra a mortalidade violenta de crianças e adolescentes que também escancara a desigualdade racial estrutural. Figura 1: Crianças (0–6 anos) vivendo em situação de extrema pobreza, por cor ou raça – Brasil, 2012–2021 (%)

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