109 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Esta figura mostra o percentual de crianças brancas e negras (pretas e pardas) vivendo abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC/ dia ou R$ 467,67/mês). Os dados revelam uma diferença racial persistente e alarmante: em todos os anos analisados, crianças negras apresentaram uma taxa muito superior de pobreza em relação às brancas; Em 2021, 54,3% das crianças negras viviam em pobreza, contra 32,4% das brancas; O menor ponto para as crianças negras foi em 2014 (48,3%), mas ainda assim, bem acima das crianças brancas (25,4%). Figura 2: Crianças (0–6 anos) vivendo em situação de extrema pobreza, por cor ou raça – Brasil, 2012–2021 (%) Esta figura mostra uma discrepância na distância entre crianças negras e brancas que se acentua ainda mais (Brasil, 2024). Em 2021, 16,3% das crianças negras estavam em extrema pobreza, contra apenas 5,2% das crianças brancas; O gráfico mostra altos e crescentes percentuais para crianças negras especialmente a partir de 2015, atingindo o pico em 2019 (15,8%); Crianças brancas, embora também afetadas, estão sistematicamente em patamar muito inferior. Os indicadores apresentados evidenciam a urgência de enfrentar as desigualdades que atravessam as infâncias no Brasil – mas também nos convocam a olhar para o que tem sido feito (ou deixado de fazer) no campo das políticas públicas. Que respostas o Estado tem oferecido diante desse cenário? Quais políticas existem para proteger a infância – e onde elas falham? Talvez o maior exercício aqui não seja apenas reconhecer a existência de leis, mas questionar o quanto essas mesmas leis são realmente eficientes diante do quadro real que se apre-
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