Infâncias na contemporaneidade

11 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade criança. Há infâncias atravessadas por desigualdades sociais, étnico-raciais, econômicas e de gênero. Infâncias que se fazem nos becos das cidades, nas famílias, nas escolas, nas brincadeiras, nas instituições de acolhimento, nos serviços de saúde. Cada uma delas é uma narrativa singular, tecida por forças históricas e culturais, mas também pela potência criadora que habita o brincar, a imaginação e a resistência. Vivemos tempos em que a tecnologia se entrelaça ao cotidiano das crianças de maneira intensa. Telas que brilham cedo, conteúdos que circulam com velocidade, redes que conectam e isolam. Há algo de novo e, ao mesmo tempo, inquietante no modo como a infância se reconfigura nesse cenário: mudanças no aprendizado, no lazer, nas formas de socialização e até nas formas de sofrimento. Há uma ambiguidade que compõe cada linha de construção da infância. A contemporaneidade traz consigo o risco de patologizar e medicalizar a infância, mas também abre a possibilidade de construir olhares mais atentos, compreensivos e singulares. Diante dessa pluralidade, torna-se urgente um olhar que acolha a complexidade. Que compreenda que o desenvolvimento infantil não se faz apenas na relação com a família, mas também nas instituições, nos serviços de saúde, nas comunidades. Um olhar que se comprometa com os direitos fundamentais das crianças, com a proteção, com a educação, com a saúde e com o brincar, tão essencial e humano. Esta edição nasce do desejo de partilhar reflexões, de provocar perguntas e de narrar práticas que não apenas registram, mas também tensionam o presente. O Cadernos do PAAS, ao longo dos anos, tem sido mais do que uma publicação: é uma prática de formação e uma forma de produzir diálogo. É um convite para que possamos olhar para a infância não como um destino, mas como uma potência em movimento que é viva e plural. Nesta 12ª edição do Cadernos do PAAS, iniciamos com o poema “Interações indivisíveis”, a partir do olhar de Celso Gutfreind sobre as infâncias. É uma forma de nos aproximarmos, com ritmo e gentileza, das infâncias que encontraremos nas páginas seguintes. Nelas o nosso leitor6 também vai se deparar com desenhos feitos por crianças 6 O uso do pronome masculino neste texto segue a convenção da língua portuguesa para o gênero gramatical neutro, adotado tradicionalmente para se referir a grupos mistos ou quando o gênero dos indivíduos não é especificado. Reconhecemos que essa prática não contempla todas as identidades de gênero e estamos comprometidos com uma linguagem mais inclusiva sempre que possível.

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