111 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade que só será possível por meio de políticas públicas sensíveis à realidade das infâncias plurais, considerando suas diferenças e especificidades no Brasil, para que, de fato, o direito à infância seja garantido a toda e qualquer criança, seja ela branca, preta, indígena ou amarela. Para além da dor: a potência das infâncias negras Ao longo deste artigo, foram abordadas as marcas profundas deixadas pelo racismo estrutural nas infâncias negras brasileiras. Contudo, reconhecer essa realidade não é suficiente: é necessário agir. Combater o racismo desde a infância exige um compromisso coletivo e contínuo e começa em gestos cotidianos, nas relações familiares, nos espaços educativos e nos serviços públicos. “O desenvolvimento socioemocional do indivíduo está diretamente relacionado aos índices sociais a que este é submetido desde os primeiros anos de existência, fazendo com que as experiências deste período repercutam por toda a vida, sejam experiências boas ou ruins” (Shonkoff, 2009 apud Tiburcio, 2021, p. 5). Nesse sentido, todo investimento que é realizado no intuito de promover ambientes saudáveis, seguros e afetivos para as crianças – especialmente na primeira infância – representa uma estratégia essencial não apenas para o bem-viver individual, mas para o desenvolvimento social e humano de toda uma geração. Apesar das violações de direitos e tantos abusos expostos aqui, na vida e no Brasil, essas crianças negras também brincam, sonham, dançam, criam e resistem. Eu sou uma delas, que resistiu, cresceu e está aqui escrevendo este artigo como prova viva de que, mesmo em meio à escassez, ao silêncio e ao apagamento, ecoam vozes, histórias e esperanças. Porque a infância negra, ainda que atravessada por dores, é também feita de invenção, afeto, força coletiva e muita beleza. Com o intuito de orientar ações concretas, o UNICEF, (2010, p. 14) propôs dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo, que podem ser colocadas em prática por famílias, educadores, profissionais e cidadãos. São elas: 1. “Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz