Infâncias na contemporaneidade

Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade 118 Narrar para existir: infância, violência e estratégias de sobrevivência QUEER Ruan Carlos Sansone1 Resumo: Este artigo, baseado em excertos de um Trabalho de Conclusão de Curso em Pedagogia, apresenta um relato de experiência que entrelaça memórias da infância do autor com sua trajetória acadêmica. O objetivo é analisar as estratégias de sobrevivência queer criadas para permanecer na escola, espaço inicialmente marcado por violências e exclusão. A metodologia adotada é o relato de experiência descritivo e reflexivo, articulando vivências de uma criança queer, negra e periférica com referenciais teóricos de gênero e sexualidade. Os achados destacam o papel do universo lúdico (televisão, músicas e personagens), das professoras, colegas e do movimento estudantil como suportes de resistência. Enfatiza-se que narrar a própria história a partir de um corpo dissidente é um ato político de produção de conhecimento, e que a escola, ao politizar infâncias dissidentes, pode se transformar em espaço de acolhimento, resistência e reexistência para pessoas LGBTQIAPN+. Palavras-chave: Infância Queer; violências; resistências. Introdução Se hoje escrevo e produzo pesquisa, é porque fui, um dia, sustentado por asas que não se veem, mas que sempre estiveram comigo. Asas feitas de sonhos, de músicas, de lendas e de fantasias. Foi nesse universo encantado, tecido por personagens, melodias e narrativas, que encontrei refúgio, abrigo e força. Na infância, em meio às dores provo1 Pedagogo, do Sistema Fecomercio - Senac, Mestrando em Diversidade Cultural e Inclusão Social (Universidade Feevale), Bolsista PROSUC (Capes). E-mail: sansoneruancarlos@gmail.com. DOI https://doi.org/10.29327/5676001.1-12

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