121 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade tos e que anuncia, com delicadeza e firmeza, que outras epistemologias são possíveis, são necessárias, são urgentes. As canções, os personagens, as palavras mágicas que um dia me ensinaram a não desistir, mesmo quando tudo parecia me dizer o contrário, estão aqui, ecoando neste relato. Foram elas que me fizeram acreditar que “pode criar e imaginar, e planejar como será, e até escolher como viver, é só querer” (Chiquititas, 1999), e que “sonhos sempre vêm pra quem sonhar, tudo pode ser, só basta acreditar” (Xuxa, 1990). E eu acreditei. Eu sonhei. Cheguei até aqui não apenas porque sonhei, mas porque encontrei abraços, afetos e apoios que, junto dos sonhos, tornaram possível caminhar, existir e reexistir. Metodologia Este artigo se inscreve no território da pesquisa qualitativa em formato de relato de experiência, um lugar onde cabem os afetos, os sentidos, as marcas da vida e as potências que dela emergem. Escolho trilhar o caminho da narrativa autobiográfica por compreendê-la como uma metodologia sensível, ética e profundamente potente, capaz de acolher as dimensões subjetivas, afetivas e históricas que atravessam as experiências humanas de inclusão e diversidade. Narrar-me é, aqui, mais do que contar minha história. É um gesto de resistência, de existência e de reexistência. Como defendem Santos e Garms (2014), a narrativa autobiográfica permite que o sujeito se reconheça como protagonista dos saberes que produz a partir de sua própria trajetória. É nesse entrelaçar do vivido com o pensado, da memória com a teoria, que este relato ganha forma e sentido. A metodologia que adoto é, portanto, o relato de experiência, compreendido como uma ferramenta legítima de produção de conhecimento que rompe com as fronteiras rígidas entre razão e emoção, entre ciência e vida. Relatar, para mim, é articular práticas e reflexões, costurar o vivido com o teórico, tecendo uma trama que me permite compreender não só minha própria experiência, mas também os contextos que me atravessaram e os efeitos que dela derivam. Este estudo, especificamente, se constrói como um relato de experiência do tipo descritivo e reflexivo, reescrito a partir de excertos de um Trabalho de Conclusão de Curso, bordado a partir das marcas deixadas por minhas vivências escolares na infância enquanto uma
RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz