133 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade emergem atualmente, as tecnologias digitais têm sido revolucionárias no sentido de encurtar distâncias geográficas, possibilitando que trocas afetivas aconteçam por meio de um simples toque na tela dos dispositivos. Dessa forma, interações sociais que se aproximam das vivências do mundo real podem ser viabilizadas por meio da tecnologia, na qual pais podem comunicar-se por vídeo com seus filhos e avós podem acompanhar o desenvolvimento de seus netos. E isso é incrível! Apenas com um deslizar de dedos, o lar se estende até onde o sinal alcançar. O uso de mídias digitais móveis, em especial, os telefones móveis inteligentes, conhecidos como smartphones, tem crescido exponencialmente nos últimos anos. E o telefone, que até pouco tempo tinha por finalidade realizar chamadas de voz, ganhou uma infinidade de funções, tornando-se um item indispensável na vida dos adultos (Lee et al., 2014). Mais recentemente também acabou ganhando espaço na rotina das crianças (Becker; Donelli, 2024a). As crianças estão sendo expostas às telas, incluindo a tela de telefones celulares, cada vez mais cedo. A tela, que antes habitava apenas a sala de estar das famílias, com a roupagem de televisão, agora cabe na palma da mão e pode estar presente no carrinho do bebê, na mesa de jantar, no colo dos cuidadores. Essa primeira exposição costuma acontecer nos primeiros seis meses de vida do bebê (Becker; Donelli, 2024a; Kabali et al., 2015; Kiliç et al., 2019), e é facilitada pelos próprios adultos, que apresentam a criança aos dispositivos como uma forma de estimulá-la ou entretê-la (Becker; Donelli, 2024a). Diante desse novo cenário, buscou-se compreender o espaço ocupado pelo telefone celular atual, o smartphone, no cotidiano de bebês que são expostos a este tipo de tecnologia. Portanto, considerou-se ouvir o que os pais de bebês pensam sobre a interação da criança com o dispositivo. O presente estudo é exploratório e descritivo, de natureza qualitativa, que contou com a participação de três casais, pais de bebês com idades entre 12 e 17 meses, residentes na região metropolitana de Porto Alegre, RS, Brasil. A idade média dos bebês foi de 14 meses, e das mães e dos pais foi de 34,6 anos e 37 anos, respectivamente. As famílias foram selecionadas por conveniência, considerando os seguintes critérios de inclusão: (a) pais maiores de 18 anos; (b) posse e utilização de dispositivo móvel com acesso à internet; (c) casal que tenha um bebê com idade entre 6 e 18 meses. Como critério de exclusão, ficou estabelecido (a) o casal ter mais de um filho.
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