Infâncias na contemporaneidade

134 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade A presente pesquisa atendeu a todos os requisitos éticos referentes à pesquisa com seres humanos, e foi aprovada pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) (CAAE 03834818.4.0000.5344). A coleta de dados iniciou após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e ocorreu na casa das famílias participantes. Os pais responderam ao Questionário de dados sociodemográficos e da família e posteriormente à Entrevista semiestruturada sobre o uso das tecnologias digitais. O método de análise utilizado neste estudo foi a análise temática, de Braun e Clarke (2006). As entrevistas foram gravadas e transcritas. Posteriormente foram lidas na íntegra e codificadas manualmente, tendo emergido três grandes temas: O lugar do celular, O bebê na rede social e O temperamento do bebê. Resultados e discussão O lugar do celular Os bebês, conforme os pais reportaram, parecem perceber o celular como um “lugar” de brincar, de diversão e de interação. Hoje, os bebês, ao serem apresentados às telas dos celulares dos pais, são introduzidos ao universo representacional dos desenhos animados. Antigamente, essa exposição era realizada apenas pela tela da televisão, e atualmente, devido à mobilidade dos aparelhos celulares modernos, tem sido também oferecida pela pequena e interativa tela dos smartphones. Seja em viagens longas, em idas ao supermercado, em restaurantes, ou até mesmo nas rotinas da criança, muitos pais fazem uso deste recurso para acalmar a criança, conforme já reportado em outros estudos (Kabali et al., 2015; Becker; Donelli, 2024a). Em seus relatos, pais compartilharam que seus filhos reconhecem o celular como uma televisão portátil ou até mesmo uma espécie de brinquedo, onde seus vídeos favoritos são transmitidos, sendo, portanto, o lugar onde o desenho acontece. Inclusive, um dos pais relatou que a filha de 14 meses, que apenas pronunciava palavras como mamãe, papai, “mamá” e gato, deu nome ao celular do pai: Teve um dia que ela acordou e a primeira coisa que disse foi “popó”. Popó pra ela é o meu telefone. Ela entendia como “popó”, porque a gente colocava na galinha pintadinha. Agora ela assiste outros desenhos também, mas ela continua chamando o telefone de “popó”. Celular é “popó” pra ela, entende? Geralmente ela

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