137 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade filhos em plataformas digitais (Kopecky et al, 2020). Mesmo diante das orientações das sociedades de pediatria do mundo, que destacam que redes sociais não são lugares seguros para as crianças (Becker; Donelli, 2024b), cresce o número de crianças pequenas expostas nas redes sociais dos pais, ou até mesmo em suas próprias contas em redes sociais, o que pode sugerir um desconhecimento das próprias diretrizes (Becker; Donelli, 2024b), ou mesmo diante do conhecimento delas, pode indicar uma minimização dos potenciais riscos da exposição da criança nas redes, especialmente em domínio público, o que pode ser explicado pelo paradoxo da privacidade (Chalklen; Anderson, 2017), uma vez que os pais parecem equilibrar benefícios a curto prazo com prejuízos a longo prazo oriundos desta exposição. Ainda, há a divulgação de fotos e vídeos de crianças em redes sociais com a intenção de gerar engajamento do público adulto. Em um estudo que explorou os bebês como capital digital em redes sociais (Agren, 2023), é destacado que nestes casos a exposição dos bebês nas redes sociais é direcionada a adultos, e não às crianças, com a intenção de gerar entretenimento. No que o autor denomina mercado de influenciadores digitais, as crianças são vistas como mercadorias, tendo suas necessidades e emoções expostas, e oferecidas como um produto, levantando debates éticos sobre trabalho infantil, consentimento infantil e proteção à criança. O temperamento do bebê Os bebês de hoje nascem em um mundo onde o tempo parece ter pressa. Na visão dos pais, as crianças demonstram cada vez menos tolerância à espera, demandando a satisfação imediata de seus desejos. Essa percepção pode estar atrelada às próprias características das tecnologias digitais atuais, que permitem que conteúdos sejam acessados constantemente e que alterações sejam realizadas a qualquer momento, apenas por um rápido toque de dedos ou comando de voz. Ademais, os comerciais nos vídeos transmitidos por meio dos dispositivos móveis são menos presentes, gerando menos pausas e a necessidade de aguardar a retransmissão da programação, diferentemente do que ocorre na televisão aberta, por exemplo. Tal estrutura elimina os vazios, os silêncios e os entretempos que antes compunham a experiência da espera. Segundo os pais, a criança, quando envolvida com o telefone, mostra-se aflita quando notificações de outros aplicativos aparecem na tela e interrompem os vídeos que ela está assistindo, o que é ilustrado
RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz