Infâncias na contemporaneidade

140 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade desamparados tendem a recorrer aos recursos existentes. E na ausência de uma rede humana e analógica disponível, veem-se obrigados a eleger uma rede de cuidados virtual. É urgente, portanto, fomentar práticas parentais conscientes e sensíveis diante do universo digital. Isso inclui, não apenas o cuidado com a exposição às telas e diferentes mídias, mas, sobretudo, a qualidade das interações mediadas ou não pelas tecnologias. Que a tecnologia possa ser, sim, um recurso de conexão, principalmente no caso das videochamadas, que aproximam os bebês de seus avós, tios, primos ou pais nos momentos em que a distância física está presente. Mas que o celular jamais substitua o olhar, o colo, o tempo disponível e a presença afetiva, os quais são elementos essenciais à construção do vínculo e ao desenvolvimento saudável na primeira infância. O recorte deste estudo, mesmo que com uma amostra pequena, oferece pistas valiosas sobre como o bebê tem, hoje, sua subjetividade moldada pela presença dos smartphones no seu cotidiano. Ao trazer à tona as vozes dos cuidadores, este estudo convida pesquisadores, profissionais da saúde e da educação, gestores públicos e os próprios pais a refletirem, em conjunto, sobre os desafios e possibilidades das crianças que já nascem atravessadas por telas, mas que ainda precisam, mais do que nunca, de vínculos humanos para crescerem com segurança, afeto e sentido. Referências ÅGREN, Y. Branded childhood: Infants as digital capital on Instagram. Childhood, n. 30, v. 1, p. 9-23, 2023. ARAUJO, Sara Andrade Sousa. Laços primordiais e experiência na infância contemporânea neoliberal. 2021. 153 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, 2021 BECKER, D.; DONELLI, T. M. S. It doesn’t always work, but it helps”: parental perceptions of baby’s screen exposure. Psicologia em Estudo, v. 29, n. 1, e54957, 2024a.

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