Infâncias na contemporaneidade

145 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade meiro buscadas nos familiares. As crianças descrevem esses momentos ora como agradáveis, ora como desagradáveis (Moreno-Roldán; Agudelo Bedoya; Alzate-Pulgarín, 2018). Em pesquisa realizada por Ramos (2012), a partir de desenhos, verbalizações e escritas de doze crianças de oito a dez anos, foi apontado que, para os netos que moravam junto de seus avós conjuntamente de seus pais, todos os membros faziam parte da família nuclear. Já para aquelas crianças que vivem diariamente na casa de seus avós e retornam para o seu domicílio apenas para dormir, ocorre uma determinada confusão sobre quais integrantes fazem parte da sua família e qual seu lar em específico. Dessa forma, considerando a lacuna identificada nas pesquisas científicas brasileiras sobre a percepção da criança em relação ao cuidado integral prestado pelos avós, aliada ao interesse e à curiosidade pela temática, tornou-se possível a realização deste estudo. Realizou-se uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, com delineamento de estudo de casos múltiplos. Participaram três crianças com idades entre 7 e 11 anos, todas cuidadas integralmente por suas avós. Elas participaram de uma hora de jogo, quando foram convidadas a encenar uma situação familiar, realizaram o desenho da família e responderam a uma entrevista semiestruturada sobre sua percepção do cuidado. Essa participação ocorreu em um encontro presencial no PAAS. As avós, com idades entre 54 e 64 anos, responderam a um questionário sociodemográfico e a uma entrevista semiestruturada, abordando aspectos familiares e a história de vida dos netos. Essa etapa foi realizada online e de forma síncrona, por meio da plataforma WhatsApp. Utilizou-se também um diário de campo para registros de impressões, observações e reflexões da pesquisadora. Foram seguidos todos os procedimentos éticos necessários para a realização da pesquisa envolvendo seres humanos, conforme a Resolução n.º 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 2016), e foram utilizados nomes fictícios a fim de preservar o sigilo da identidade dos participantes. Os dados foram analisados a partir de três eixos temáticos: 1. História de vida; 2. Configuração familiar; 3. Sentimentos e percepções das crianças em relação a esses aspectos. Entretanto, este texto abordará especialmente o terceiro eixo da pesquisa, precedido por uma breve descrição dos três participantes.

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