Infâncias na contemporaneidade

146 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Caracterização dos participantes Laura tem 9 anos, e o contato para a entrevista foi realizado com sua avó paterna, Lilian, de 64 anos. Quando Laura tinha 5 meses de vida, ela e seus pais passaram a residir na casa dos avós paternos, permanecendo nessa configuração até seus 3 anos de idade, quando os pais se separaram e passaram a viver em residências distintas. Desde então, Laura vive exclusivamente com os avós paternos. O contato com a mãe ocorre mensalmente, enquanto com o pai acontece aos finais de semana. Valentina possui 11 anos e o contato foi realizado com a avó materna, Verônica, de 55 anos. A mãe da menina faleceu no momento do parto, e a guarda legal foi atribuída ao pai e à madrasta. No entanto, aos 8 anos, em razão de maus-tratos por parte desses cuidadores, Valentina passou a viver com a avó materna. Atualmente, ambas residem na casa da tia da menina (filha mais nova de Verônica), juntamente com o esposo e a sogra da tia. Aos domingos, o pai de Valentina exerce seu direito de visita, recebendo a filha em sua casa para promover o convívio com seus dois irmãos mais novos, filhos do pai e da madrasta. Henrique tem 7 anos, e a entrevista foi realizada com sua avó paterna, Helena, de 54 anos. A separação dos pais de Henrique ocorreu logo após a descoberta da gestação. Nesse contexto, os avós paternos, especialmente Helena, se aproximaram da mãe da criança para oferecer apoio durante a gravidez e mantiveram o auxílio também após o nascimento do neto. Aos seis meses de vida, a mãe de Henrique começou a trabalhar e passou a deixar o filho com os avós regularmente, o que, gradualmente, evoluiu para estadias prolongadas na casa deles. Desde então, Henrique reside com os avós paternos, mantendo contato quase diário com a mãe, e inclusive possuindo um quarto em sua residência. Atualmente, o pai também reside temporariamente na casa dos avós, convivendo com o filho. Sentimentos e percepções da criança Em relação às percepções das crianças participantes referente ao motivo do cuidado pelas avós, as falas de Laura e Henrique se assemelham no que se refere à incerteza e falta de compreensão: Laura demonstrou confusão na sua resposta, assim como observado no discur-

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