Infâncias na contemporaneidade

159 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade As crianças hoje, ao contrário de décadas atrás, passaram a comandar parte do mercado econômico, sendo elas grandes consumidoras das tecnologias de interação (Levin, 2007; Bauman, 2008). Diante do que é observado, pode-se pensar que as crianças brincam cada vez menos. Entretanto, esta não é uma verdade. As crianças seguem brincando, como sempre fizeram. Foi o brincar que mudou. O brincar passou por uma remodelação e incorporou elementos desta nova era. Assim como hoje não podemos falar em uma única infância, também não podemos falar em apenas um brincar. O brincar, hoje, é híbrido, mesclando elementos do brincar convencional/analógico e do brincar digital. Assim, o brincar que antes acontecia de modo analógico, com bonecos reais, por exemplo, pode se mesclar com elementos presentes em um espaço virtual. Ainda, ao brincar a criança ora interage com seus pares através da tela do celular ora participa de brincadeiras mediadas no mundo real. Conforme Couto (2013), a inserção da criança no mundo digital deu novos significados ao ato de brincar, sendo o lúdico moldado pelas múltiplas experiências proporcionadas pelas novas tecnologias. Diante das transformações impostas pela miniaturização das tecnologias e do acesso ilimitado ao conteúdo online, as crianças, conforme Dziekonska (2023), têm experimentado um mundo físico-digital diferentemente das gerações anteriores, onde muitos dos aplicativos utilizados por elas também cumprem a função de brinquedo, e são percebidos como um espaço onde elas podem manifestar seus interesses, como a dança, o teatro e as artes em geral. Além disso, muitas crianças acessam a internet e estes aplicativos na busca por ideias de atividades lúdicas. Esse novo brincar é também percebido como diferente do brincar convencional, conforme ilustrado na pesquisa de Becker, Viana e Donelli (2022). Segundo as autoras, as crianças compreendem o brincar com telas como o oposto do brincar sem telas, assim como avaliam este brincar como mais fácil, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista interacional, uma vez que ele não necessita da disponibilidade de um outro jogador para se concretizar. Considerações finais Diante de todas as transformações que permeiam o brincar na contemporaneidade, permanece a certeza de que, independentemente da sua forma de expressão e do contexto onde ocorre, o brincar con-

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