Infâncias na contemporaneidade

160 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade tinua sendo um eixo estruturante do desenvolvimento infantil. Mesmo entre telas, algoritmos e realidades híbridas, ou em contextos adversos, a criança segue encontrando no lúdico um espaço de criação, expressão e simbolização. O desafio que se impõe não é conter as mudanças de um tempo, mas compreendê-las, acolhê-las e acompanhá-las. O brincar resiste, se adapta, se reinventa e se transforma, mas não desaparece. E talvez seja justamente nessa capacidade de reinvenção que o brincar revela a sua potência: ele nos convida, incansavelmente, a olhar para as infâncias como um território vivo, que pulsa nas descobertas, vínculos e imaginação. Neste sentido, olhar com cuidado para o brincar é assumir um compromisso com as infâncias, assumir um compromisso ético de garantir tempo, espaço e presença para que o lúdico aconteça em sua plenitude. É reconhecer que o direito de brincar tem um valor imensurável para o desenvolvimento humano, não estando ele reduzido a uma atividade qualquer. O brincar é fundamento da saúde psíquica, da cidadania e da existência criativa, e sustentá-lo é, portanto, um gesto político e sensível de cuidado com a humanidade que se inaugura em cada criança. Referências AFFONSO, R. M. L. (org.). Ludodiagnóstico: investigação clínica através do brinquedo. Porto Alegre, RS: Artmed, 2012. BECKER, D.; VIANA, M. I. L.; DONELLI, T. M. S. Infância touch screen: um estudo exploratório sobre o brincar com tablets. Contextos clínicos, n. 15, p. 117-139, 2022 BASSOLS, A. M. S. et al. A criança pré-escolar. In: EIZIRIK, C. L., BASSOLS, A. M. S. (org.). O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica. 2. ed. Porto Alegre, RS: Artmed. 2013. p. 127-142. BAUMAN, Z. Vida para consumo. A transformação das pessoas em mercadoria. Trad. C. A. Medeiros. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2008. BROWN, S.; VAUGHAN, C. Play: How it shapes the brain, opens the imagination, and invigorates the soul. New York: Avery, Penguin, 2009.

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