167 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Essa condição também pode afetar o desenvolvimento cognitivo das crianças, levando-as, inclusive, a terem dificuldades de aprendizagem. Inclusive em 2024, especialistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, escolheram “brain rot” como o “termo do ano”. Em tradução livre do inglês, o termo significa “cérebro podre”, e o Dicionário de Oxford define esse termo da seguinte maneira: “A suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente quando resultado do consumo excessivo de material (principalmente online) considerado trivial ou pouco desafiador”. E aqui cabe uma importante reflexão: mais do que simplesmente ser um hábito, o consumo excessivo desses conteúdos, que na maioria das vezes são apenas sensorialmente atrativos para olhos e ouvidos, revela uma situação mais grave: a interação com estes materiais pode impedir que crianças e adolescentes desenvolvam sua capacidade interpretativa. Sem aprofundar nenhum tema, os mais jovens consomem conteúdos ao rolar do feed, são encantados, seduzidos pelas telas. Esses fatores também podem gerar impactos expressivos no processo de aprendizagem ao ingressar na escola. O paradoxo das digitalidades na infância é grande. Se por um lado a criança se torna “refém” da tecnologia, por outro, a experiência estimula a criatividade e o senso crítico. Em contrapartida, poderíamos refletir junto com Sibilia (2012) de que as telas estão ocupando um espaço maior do que o necessário na vida das crianças. Esse fator também é refletido nos contextos escolares. A este respeito a autora argumenta que as tecnologias precisam ser redefinidas não como garantia de excelência escolar, por exemplo, mas sim como “espaços de encontro e diálogo, de produção de pensamentos e decantação de experiências…” (2012, p. 211). (Re)inventando infâncias: transformações culturais na sociedade contemporânea Assim como os tempos mudaram, a sociedade também mudou. Nunca em nenhuma outra época da história presenciamos tantas transformações tecnológicas, sociais, políticas e econômicas como no último século. Com isso, podemos dizer que as infâncias também sofreram e, ainda sofrem grandes impactos com as transformações digitais.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz