168 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Para compreender verdadeiramente a criança, é preciso, antes de tudo, refletir sobre quem ela é e como a enxergamos. Ainda assim, acreditamos que não é uma tarefa simples: definir infância exige considerar sua complexidade como um conceito histórico e social, que não pode ser separado do contexto em que está inserido. Sabemos que os primeiros anos de vida são de extrema importância para o desenvolvimento do ser humano, por ser esse o período em que se constroem as bases para a vida futura. Durante a primeira infância, especialmente, ocorre intensa atividade cerebral, com amadurecimento de áreas importantes do cérebro e a fundamentação do desenvolvimento emocional, cognitivo e físico do indivíduo. Assim, a forma como a criança pequena interage com o ambiente, e vice-versa, influencia positiva ou negativamente seu desenvolvimento (Reichert, 2011, p. 37). Reichert (2011) destaca a importância dos primeiros anos de vida como uma fase decisiva para o desenvolvimento integral do ser humano. Nesse período, especialmente durante a primeira infância, o cérebro passa por uma intensa atividade, com a formação de conexões neurais que servirão de base para habilidades futuras, como o raciocínio, a linguagem, o controle emocional e a coordenação motora. Por isso, a qualidade das interações que a criança estabelece com seu ambiente – sejam elas afetivas, sociais ou físicas – têm um papel fundamental na construção de sua identidade e no fortalecimento de suas capacidades cognitivas e emocionais. Ambientes acolhedores, estimulantes e seguros, aliados a vínculos afetivos consistentes, favorecem esse processo, enquanto contextos adversos podem comprometer significativamente o desenvolvimento infantil. Essa discussão articulada as redes são um pouco mais profundas. Não pretendemos com essa escrita negar ou condenar as tecnologias, pelo contrário, nossa proposição é pensar criticamente sobre como, a forma e o tempo em que são utilizadas. A intenção é poder reconhecer a importância do seu uso, mas em um equilíbrio saudável para o desenvolvimento das crianças. A substituição de brincadeiras espontâneas e da convivência familiar por longas horas em frente às telas tem sido apontada como um fator de risco para atrasos no desenvolvimento da linguagem, obesidade infantil, distúrbios do sono e transtornos de atenção (AAP, 2016).
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