Infâncias na contemporaneidade

169 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade A qualidade da interação mediada pelos adultos, o tempo de uso e o conteúdo acessado são determinantes para que as tecnologias atuem como ferramentas de desenvolvimento e não como barreiras à infância saudável. Dessa forma, Bueno (2018) nos provoca a pensar no afeto como uma ação transformadora dessas relações, ele diz: Afeto é afetar. É o compromisso de transformar o outro. O coletivo. Afeto é desafiar, abrir caminhos. Dar as mãos. É parceria. Afeto é generosidade. Não se educa sem generosidade. Afeto é o que fica. Esse afeto que percebe que o educar se faz nas miudezas. (Bueno, 2018, p. 53). Partindo da definição sobre afeto, que o autor nos apresenta, e fazendo a relação com a ressignificação da infância com as transformações digitais, defendemos a ideia de que o afeto, na Primeira Infância, é fundamental para o seu desenvolvimento, e isso se torna ainda mais urgente em um mundo mediado por telas e conexões virtuais. Em meio às tecnologias, é o afeto que sustenta vínculos, garante segurança emocional e dá sentido às experiências da criança. As múltiplas linguagens da infância: entre brinquedos, telas e conexões A criança é feita de cem. A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar. Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar. Cem alegrias para cantar e compreender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar. A criança tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove. A escola e a cultura separam-lhe a cabeça do corpo. Dizem-lhe: de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar, De compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se só na Páscoa e no Natal. Dizem-lhe: de descobrir o mundo que já existe e, de cem,

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