171 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade gicas sem comprometer os direitos fundamentais da criança. Nesse contexto, os novos Parâmetros Nacionais de Qualidade e Equidade da Educação Infantil (2024) orientam que o uso de recursos tecnológicos deve estar a serviço da promoção do desenvolvimento integral e das múltiplas linguagens da infância, e não de sua antecipação escolarizada ou de sua digitalização precoce. A transformação digital, quando pensada com intencionalidade pedagógica e equidade, pode ampliar o repertório cultural das crianças, desde que respeite suas necessidades de interação, corporeidade, imaginação e brincadeira. No entanto, os parâmetros alertam que a mediação adulta é fundamental para que essas experiências sejam significativas e seguras, sobretudo diante das desigualdades de acesso que marcam o território nacional. Assim, o processo de ressignificar as infâncias à luz da cultura digital exige não apenas infraestrutura, mas principalmente formação docente crítica, sensível à diversidade e comprometida com o direito de todas as crianças a uma infância plena, ativa e integral. Considerações finais Vivemos em um tempo marcado por transformações digitais, que se entrelaçam em todas as dimensões da vida, inclusive na infância. As telas, os dispositivos móveis e as múltiplas conexões fazem parte do cotidiano das crianças desde muito cedo, provocando novas formas de brincar, aprender e de se relacionar. Este artigo buscou refletir sobre as infâncias contemporâneas à luz da cultura digital, avaliando seus impactos. Ressignificar a infância, nesse contexto, exige compreender que as tecnologias, embora inevitáveis, não devem ocupar o lugar dos vínculos humanos, mas sim fortalecer relações afetivas, escutas atentas e experiências significativas. Lançar um novo olhar sobre a infância, portanto, não significa substituir o contato humano pela mediação digital, mas sim integrar as novas linguagens tecnológicas sem perder de vista que é na relação sensível, no olhar atento e na escuta presente que a criança se desenvolve de forma plena. O afeto continua sendo o elo entre o educar e o cuidar – mesmo (e especialmente) em tempos de transformação digital. Diante dos aspectos apresentados neste artigo, é preciso retomar o questionamento inicial desta reflexão: como as infâncias se
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