Infâncias na contemporaneidade

18 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade final da década de 1940 sobre a contratransferência como um instrumento técnico na psicanálise. Alguns autores (Zambelli et al., 2013) atribuem a Paula Heimann a autoria deste movimento. Todavia, Racker (1982) apresentou uma obra ampla sobre a contratransferência, refletindo sobre a neurose, masoquismo, mania e resistência do analista. Enquanto Heimann (1950) levantava a bandeira da contratransferência como instrumento técnico na Sociedade Britânica de Psicanálise, Racker (1948) fez o mesmo na Associação Psicanalítica Argentina. Paula Heimann enfrentou diretamente a oposição de Melanie Klein, enquanto Racker (1982) pôde avançar seus estudos com mais autonomia (Machado, 2009). Segundo o autor, o analista não está livre de desenvolver uma neurose de contratransferência, de desempenhar uma postura maníaca, masoquista e resistente dentro do processo analítico. Racker (1948) parece retomar a compreensão de Freud (1910) e Ferenczi (1919; 1927) em relação à contratransferência e avança afirmando que, assim como a transferência mobiliza a contratransferência, esta, por sua vez, mobiliza a transferência. Para o autor polonês, é inevitável que o paciente tenha contato com os afetos do analista. A obra de Racker (1982) conduz à compreensão da singularidade de uma análise. O entrelaçamento da transferência e da contratransferência ocorre em um tempo e espaço específicos, constituindo-se como experiência singular, que não se repete. A segunda regra fundamental (Ferenczi, 1927) da psicanálise é construída singularmente em cada momento da vida do analista. É dessa forma que a reanálise se torna relevante. Analisar novamente, em outro momento, com outro analista, os conteúdos internos é dar sequência ao processo de autoconhecimento e compreensão das pulsões e objetos internos. Assim, o analista poderá se aproximar da possibilidade de experienciar a contratransferência como instrumento técnico no processo analítico de seu paciente. Contratransferência na clínica da infância A clínica da infância desafia o analista quanto ao manejo da contratransferência. A criança, em seus diferentes estágios de desenvolvimento psíquico, transfere seus objetos internos parcialmente formados para o analista e este, por sua vez, realiza um processo regressivo. O analista resgata sua infância e a revive na análise de seu paciente.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz