39 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade uso das telas e as novas formas de interagir com o ambiente impactam o desenvolvimento de uma organização psíquica (interna) saudável e como isso se dará em um contato com o mundo (externo) (Winnicott, 1971/2019). A experiência múltipla e diversa do brincar é o que abre margem para inúmeras possibilidades de constituição. Quando nos propomos a pensar o que estão vivendo as nossas crianças no mundo em que construímos até aqui, nos questionamos também o que constitui uma criança que nasceu após os anos 2010, 2015, 2020. O advento das tecnologias alterou as formas de interação social e por consequência, como as crianças brincam. Falamos, dentre muitas outras, de infâncias pandêmicas, infâncias que, aqui no Rio Grande do Sul, sofreram também com as enchentes de maio de 2024. A presença dos adultos, fundamental na constituição de um ambiente suficientemente bom, seguro e minimamente previsível na primeira infância (Winnicott, 1952/2021), mas também em idades posteriores, funciona numa direção não de guiar ou estabelecer ordem, mas sim proporcionar espaço para criação, expressão e autonomia. Falamos de um brincar enquanto produtor de saúde, como uma possibilidade de ampliação da capacidade de apreciar a vida, de desfrutar de uma existência mais plena, mais possível. Alguns ambientes serão mais propícios para as crianças brincarem do que outros. Tendo isto em vista, como utilizar o brincar como um dispositivo a favor da mudança e da produção de saúde? As variações do brincar: um percurso através do devirbrincante nas políticas públicas O brincar é movimento e ato fundamental na constituição do ser humano. É sinônimo de saúde física, mental e de vida. O brincar espontâneo, a possibilidade de formar símbolos e interagir com o ambiente de maneira fluida, complexa e primitiva, leva o ser humano em desenvolvimento a estabelecer formas de vida suficientemente boas (Winnicott, 1971/2019). Para que a criança brinque, existem algumas premissas importantes, mais por parte dos adultos e/ou cuidadores, do que das crianças em si. Brincar é ato que se faz-fazendo, e não é incomum uma interferência dos mais velhos nas articulações possíveis que se fazem através das brincadeiras dos pequenos.
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