47 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Palavras-chave: interações pais-bebês; tecnologias digitais; desenvolvimento infantil. Introdução É sabido que o ambiente no qual a criança está imersa e onde cria vínculos com seus cuidadores durante seus primeiros três anos de vida desempenha um papel primordial para o seu desenvolvimento (Brazelton, 1988; Winnicott, 1983/2007). Ademais, a forma como suas figuras de referência, pais ou principais cuidadores, desempenham a função materna reverbera no modo como a criança passa a estabelecer vínculos e explorar o mundo ao longo de toda a sua vida (Bowlby, 1984). Com o advento da internet, a presença das tecnologias digitais nos lares afetou, de diferentes formas e intensidades, as interações estabelecidas entre a criança e seus cuidadores (Becker; Donelli, 2024b; McDaniel,2019). Estudos publicados ao longo da última década apontam que em um contexto familiar hiper conectado, as interações pais-bebês podem ser interrompidas pelo uso que os próprios adultos fazem de smartphones (Becker, 2020; McDaniel; Radesky, 2018). Além disso, os bebês já são reconhecidos como os mais novos usuários de tecnologias digitais, uma vez que os adultos disponibilizam telas a eles para que possam se entreter, ou ainda como uma forma de acalmar a criança quando há ausência de uma rede de apoio, assim como por uma possível sobrecarga parental (Becker; Donelli, 2024a, 2024b; Kabali et al., 2015). Entre os estudos observacionais que exploraram o uso de smartphones por cuidadores de crianças com idades entre 0 e 3 anos durante momentos de interação das díades mães-bebês/pais-bebês, prejuízos em determinadas habilidades parentais importantes para uma interação de qualidade foram identificados, como na sensibilidade e responsividade (Becker; Donelli, 2020; Wolfers et al., 2020). Já a presença da televisão ligada durante momentos de interação pode repercutir negativamente na qualidade das trocas interativas das duplas mães-bebês/ pais-bebês (Golen; Ventura, 2015; Boles; Roberts, 2008), assim como gerar rupturas nas atividades lúdicas nas quais o bebê está envolvido, seja com seus cuidadores, seus pares ou até mesmo com brinquedos (Schmidt et al., 2008). O’Toole e Kannass (2021) apontaram para prejuízos da televisão de fundo (refere-se a televisão que está ligada, sem
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