Infâncias na contemporaneidade

50 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade trabalham como autônomos. Consideram que utilizam pouco os smartphones, fazendo maior uso da televisão, a qual não é considerada uma tecnologia pela família. Ana e André pertencem a uma geração de imigrantes digitais, ou seja, nasceram em momento posterior ao advento da internet. André mencionou diversas vezes que a criação do filho é embasada na criação que teve – criado no campo em meio aos animais e respeitando os mais velhos. Além disso, relatou que não gosta de usar o celular e que se sentiu obrigado a utilizá-lo em decorrência do trabalho e por insistência da esposa. Ana destacou que a criança não é exposta a telas, especialmente ao celular. O casal informou que a televisão é a tela mais utilizada pela família. Ademais, por não considerarem a televisão uma tecnologia, não acreditam que ela possa afetar o desenvolvimento da criança. A observação foi realizada durante uma manhã. Para esse momento, o casal elegeu o horário de brincar com o filho para o registro em vídeo, que foi realizado na sala da residência. Quanto à disponibilidade de recursos tecnológicos, havia apenas a presença da televisão no ambiente. Ligada em volume alto e sintonizada em um canal da televisão aberta, com programação voltada para o público adulto (televisão de fundo), o som da televisão se misturou com a interação do casal e das interações que ambos tiveram com a criança: O casal senta-se no chão junto ao bebê e de frente para a televisão. O pai e a mãe apresentam alguns brinquedos para Antônio. Ele recusa. Pega um mordedor e leva-o até a boca. Quando Antônio tenta se distanciar, engatinhando, a mãe puxa a criança para o colo, onde o bebê se senta e volta seus olhos para a televisão. A mãe e o pai conversam com Antônio em manhês, repetindo os sons emitidos por ele. Durante esse momento trocam olhares entre eles, mas não com Antônio. O bebê ora olha para o objeto que coloca na boca ora para a televisão. O pai alcança para Antônio um caminhão, e ele responde a tentativa de interação do pai, agarrando o brinquedo, mas sem olhar para o pai. Antônio mexe por alguns segundos no brinquedo e em seguida volta seu olhar para a televisão. Em seguida larga o caminhão e pega um bloco de plástico, que coloca na boca. André, o pai, diz para Antônio: - Tudo na boca né? Os pais apresentam mais uns brinquedos para o bebê na tentativa de captar sua atenção,

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