Infâncias na contemporaneidade

52 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Depois Bernardo pegou o telefone, enquanto Bianca seguia dando pão para o bebê. Benício olhava para o pai mexendo no telefone, pegou o balão que segurava e jogou em direção ao telefone. Neste instante Bernando fala: - Opa, tu não quer que o pai mexe no celular, é? Bianca responde pela criança: - Diz pai, agora é hora de brincar! Em seguida Bianca levanta do sofá e vai buscar o remédio de Benício, que está fazendo um tratamento para bronquite. Benício volta sua atenção para a tela da televisão por alguns instantes, e quando convocado pelos pais pela conversa, retomava seu olhar para os pais. Discussão Com o objetivo de ampliar a análise dos resultados, serão apresentadas semelhanças e divergências entre os casos A e B, considerando-se os dois eixos analíticos construídos. Referente ao eixo 1, “Disponibilidade emocional parental”, a partir da observação da interação das duas tríades que compuseram o estudo, pôde-se destacar que o componente disponibilidade emocional parental, que se refere à conexão emocional dos pais com a criança (Biringen et al., 2014), pode ter um papel fundamental neste cenário. O bebê, enquanto alguém mais vulnerável no mundo e que depende de uma figura capaz de satisfazer suas necessidades de ordem emocional e fisiológica, parece ser facilmente capturado pela presença da televisão na sala da residência, principalmente se estiver sozinho no ambiente, ou, se estiver com um dos pais que também esteja envolvido com a tela, em uma postura de presença-ausência (Aagard, 2016), por exemplo. A presença ausente refere-se a estar fisicamente presente no ambiente, entretanto, emocionalmente desconectado do que está acontecendo, ou apresentando ausência de conexão emocional com a criança (Aagard, 2016; Becker, 2020), atitude que foi observada, em alguns instantes, na interação da tríade A. Evidenciou-se que, quando os pais se envolvem na interação com o bebê, oferecendo espaço e respondendo às tentativas de interação promovidas pela criança, o desfecho é diferente, e a interação pode ser favorecida mesmo com a presença da televisão de fundo.

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