Infâncias na contemporaneidade

54 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade intrusividade dos pais, que invadiam o espaço da criança, impedindo que o bebê explorasse o ambiente livremente e se envolvesse com os brinquedos. Estudo experimental conduzido por Schmidt et al. (2008) nos Estados Unidos, apontou que o brincar de bebês pode ser interrompido pela televisão de fundo, e que, apesar de aparentemente serem pequenas as rupturas, a exposição por longos períodos pode levar a um efeito cumulativo, prejudicando o desenvolvimento da criança. Além disso, quanto mais novos os bebês, maiores as interrupções nas interações e nas tentativas de comunicação do bebê, corroborando o que foi evidenciado na observação, em que bebês pequenos estavam mais suscetíveis à presença da televisão. Outro aspecto a ser destacado é relacionado à dinâmica familiar. O casal B se revezava – quando um estava envolvido com a tela, o outro ficava disponível para o bebê, evitando que a criança ficasse desassistida, o que foi menos visível na interação da família A. Referente ao eixo 2 “O papel das telas na família”, pode-se notar que, apesar da televisão estar numa posição de fundo na interação em ambas as situações, ela parece ter funções, assim como significados, distintos para cada uma das famílias. No caso da família A, as telas, segundo relatos do casal, devem ser evitadas, entretanto, a televisão está constantemente ligada na sala da residência. O pai e o bebê passaram a maior parte do tempo com sua atenção voltada para ela, o que impedia que a dupla interagisse face a face. Para a família B, era assumido que tanto a televisão como os smartphones faziam parte do cotidiano da família e que o bebê, quando houver necessidade, será exposto a elas. Essa atitude dos pais também pode estar relacionada com a sua geração, que acompanhou mais de perto o avanço das tecnologias, diferentemente da geração da família A, cujos pais são de uma geração que teve pouco contato com as mídias digitais móveis, especialmente o pai, que sempre esteve mais exposto ao rádio e à televisão. Bianca e Bernardo, da família B, demonstraram fazer um uso pontual das telas, visando ao bem-estar da família. Eles se apropriaram dos recursos tecnológicos como algo para favorecer a interação e minimizar possíveis conflitos que poderiam emergir em determinados momentos, como na hora da medicação. O uso de telas para distrair a criança em situações de doença corrobora o que já vem sendo discutido na literatura, conforme evidenciado nos estudos de Lee et al. (2012) e Weekly, Walker e Beck (2018), acerca do uso destes recursos em ambiente hospitalar. Os

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