60 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade aos pais de uma criança com dificuldades no comportamento alimentar. A intervenção foi desenvolvida em quatro encontros, com, em média, 50 minutos de duração. Observou-se resultados importantes com a orientação aos pais a partir de estratégias de introdução de alimentos e de mudança comportamental. A experiência relatada mostrou a importância de considerar as emoções envolvidas na alimentação e o papel das práticas parentais para a mudança do comportamento alimentar. Palavras-chave: comportamento alimentar; crianças; parentalidade. Introdução O comportamento alimentar é uma construção multifatorial, influenciada por aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais e culturais, resultantes da interação entre fatores inatos – como sinais de fome e saciedade – e fatores aprendidos, como preferências alimentares, normas culturais e experiências com os cuidadores. Na infância, esse comportamento é particularmente moldado pelas experiências precoces com os pais ou responsáveis, cujas práticas alimentares e estilo parental desempenham papel central no desenvolvimento da autorregulação da ingestão alimentar (Birch; Davison, 2001; Savage; Fisher; Birch, 2007; Russell et al., 2020; Santos; Reis; Romano, 2021). Dessa forma, fica claro que a relação entre pais e filhos influencia as diferentes formas de interação na infância, incluindo experiências alimentares. Este relacionamento das crianças com os seus cuidadores é o que estabelece as práticas parentais, que contam com comportamentos de cuidado, educação, socialização e formas de relacionamentos dos menores com o mundo (Bolsoni-Silva; Marturano, 2007; Marin et al., 2013). Esse comportamento dos cuidadores é amparado pelos estilos parentais de cada responsável, que dependem do modelo de comunicação com os filhos, a forma como limites e regras são colocados e cobrados, e a maneira que o afeto é desenvolvido na família. Sabe-se que quanto melhor estabelecidas as características de cuidado, mais saudável será o desenvolvimento infantil (Fava; Rosa; Oliva, 2018; Guisso; Bolze; Vieira, 2019; Santos; Reis; Romano, 2021). Essa conduta parental é um reflexo das representações, crenças e valores familiares, amparadas pelo contexto cultural e social, além de recursos psicológicos e singularidades da criança, que visa garantir um crescimento satisfatório (Piovanotti, 2007; Marin; Piccinini; Tud-
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