63 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade necia em casa sob os cuidados dos responsáveis, ambos em home office, e frequentava a escola à tarde. Quanto à alimentação, os pais relataram que a criança realizava o desjejum até as 9h, geralmente com leite e bolacha tipo Maria. O almoço foi descrito como o momento mais desafiador do dia, marcado por resistência alimentar e episódios de choro intenso. Nesses casos, os responsáveis frequentemente cediam, oferecendo alternativas para assegurar a ingestão alimentar. Mencionaram que o lanche escolar, oferecido no início da tarde, coincidia com o horário habitual do almoço, o que possivelmente contribuía para a recusa da refeição. Relataram também que a professora, eventualmente, oferecia bolachas à criança nesse contexto. No retorno da escola era oferecido um lanche mais flexível com alimentos como torradas e cereais. Durante o jantar a criança frequentemente recusava a refeição, apresentando sonolência. Os responsáveis informaram que passaram a restringir a compra de alimentos muito apreciados pela criança, como forma de evitar episódios de consumo excessivo. Atribuíram as dificuldades alimentares a fatores emocionais, referindo que, quando alimentada diretamente pelos cuidadores, a aceitação dos alimentos era facilitada. Relataram também a presença de comportamentos interpretados como regressivos e um vínculo afetivo positivo com ambos os pais, embora percebessem a figura materna como mais sensível às demandas da criança. No segundo encontro, realizado com a presença da criança e de sua mãe, foram utilizadas comidas de brinquedo e bonecas como estratégia lúdica para favorecer a expressão sobre hábitos alimentares. A atividade consistiu na criança preparar refeições fictícias para as estagiárias, tendo incluído alimentos como arroz, feijão, ovo e carne. Durante a brincadeira, foi estimulada a identificar alimentos de que gostava e não gostava. A menina demonstrou preferência por frutas, relatou gostar muito de ovo e, especialmente, de ketchup. Curiosamente, incluiu ervilha e cenoura no grupo de alimentos de que “gostava”, justificando que eram apreciados pela mãe e pela irmã. A mãe informou que naquele dia a menina não havia almoçado. Quando questionada sobre o assunto, a criança apresentou desconforto e evitou dar continuidade à conversa. A brincadeira foi conduzida de modo a incentivar a representação de alimentos habitualmente recusados, o que foi aceito parcialmente. Ao final do atendimento a menina verbalizou que estava com fome. Ao ser questionada sobre o
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