Infâncias na contemporaneidade

64 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade que comeria ao chegar em casa, inicialmente evitou responder, mas depois mencionou leite com achocolatado e bolachas. Quando sugerido que consumisse a refeição recusada no almoço, não demonstrou receptividade. O terceiro encontro foi utilizado para fornecer orientações à mãe. Como parte da intervenção, foram realizadas orientações nutricionais que visavam estruturar as refeições, de forma a organizar a rotina alimentar, com horários mais consistentes, quantidades adequadas e com maior qualidade nutricional. Foram mantidos alimentos da preferência da criança, mas que foram adequados às suas necessidades. Os pais receberam orientações sobre a introdução de novos alimentos na alimentação da filha. Foi recomendada a utilização de uma técnica de aproximação, que consiste em oferecer todos os alimentos da refeição no prato da criança, permitindo que ela escolha quais deseja consumir. Também foi abordado o conceito da divisão de responsabilidades na alimentação, segundo o qual cabe aos pais definirem os alimentos oferecidos, bem como os horários e o local das refeições, enquanto à criança é reservado o direito de decidir o que e quanto comer. A contribuição da psicologia ocorreu no sentido de orientar os pais. Foi conversado com a mãe sobre estratégias de como lidar com algumas atitudes da filha, a fim de melhorar a relação dos pais com ela no aspecto da alimentação. Utilizou-se a psicoeducação para explicar a importância de validar os sentimentos da criança e orientar ela utilizando a conversa e o afeto. Como técnicas mais direcionadas para a alimentação, foi explicado o reforçamento positivo do comportamento adaptativo da filha. Para isso, a mãe deveria incluir como prática parental o reforço dos comportamentos da menina quando ela se alimentasse bem, elogiando e enfatizando esses momentos. Assim, ela sente-se incentivada a realizar novamente o comportamento. Outra técnica utilizada foi a modelagem, em que a família deveria servir de exemplo para o comportamento da criança. Ressaltou-se a importância de a família utilizar essa estratégia no cotidiano, servindo como exemplo do comportamento que esperam que a filha tenha, como a mãe elogiar o prato do pai quando está com uma variedade de verduras. Além das estratégias citadas, as estagiárias explicaram que a mudança de hábitos da criança precisa envolver outras áreas da vida dela, como a escola. Diante disso, seria importante que os pais alinhassem

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