65 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade com a escola as estratégias para melhorar a alimentação da filha nesse ambiente. A mãe mostrou-se bastante motivada a colocar em prática o que foi explicado, tanto referente à Nutrição, quanto à Psicologia. No quarto encontro, a mãe relatou que a filha teve avanços expressivos e que os momentos de refeição estão mais tranquilos. Os pais conseguiram oferecer uma maior quantidade de alimentos para a menina durante esse período e ela teve uma mudança na rotina que facilitou esse processo. De acordo com os pais, ela começou a frequentar uma creche de manhã, em que ela come pão de lanche e almoça uma variedade de alimentos. Sobre a alimentação em casa, a menina gostou do cardápio oferecido e pareceu mais atenta à alimentação saudável. O encontro foi finalizado com uma conversa sobre a alta, pois percebemos que a menina estava bem e tínhamos conseguido atingir os objetivos iniciais. Análise e discussão dos resultados Diversos fatores moldam a maneira como as crianças se alimentam, desde sua biologia até o ambiente familiar e as atitudes dos pais. Logo cedo, elas começam a sentir a fome e a saciedade, aprendendo a controlar o quanto comem. Contudo, essa habilidade pode ser afetada se os pais tentarem controlar demais, forçando a comer ou usando a comida como prêmio. Birch e Davison (2001) mostram que, mesmo com essa capacidade natural de autorregulação, a insistência dos pais pode atrapalhar. Portanto, estratégias educativas e responsivas no contexto familiar são essenciais para promover uma relação saudável com a alimentação na infância. No caso relatado, foi utilizada a técnica de psicoeducação da TCC, que é o fornecimento de uma informação sistemática e relevante sobre uma doença ou condição (Motlova et al., 2017). A psicoeducação traz benefícios de adesão ao tratamento, melhora na qualidade de vida e mudanças no estilo de vida do paciente – neste caso, da família (Nogueira et al., 2017). Utilizou-se essa técnica para falar sobre o comportamento de birra e a dificuldade na alimentação, orientando os pais que nenhum diagnóstico relacionado a algum transtorno do neurodesenvolvimento foi identificado, apenas questões compatíveis com o período de desenvolvimento da menina. Nesse sentido, foi fornecida a orientação de acolher os sentimentos da criança nos momentos em que
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