74 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Com essa visão, a Oficina de Contos do PAAS realiza um trabalho baseado no livro “O Terapeuta e o Lobo”, do psiquiatra e psicanalista Celso Gutfreind, utilizando-se de histórias, pois os contos estimulam uma narrativa e, através dela, potencializa-se o processo de simbolização e desenvolvimento emocional. Por meio desse instrumento, o grupo também desenvolve a interação entre pais e/ou cuidadores e seus filhos, a fim de que eles possam ter momentos de qualidade, seja através da leitura conjunta, brincadeiras ou demais atividades, estimulando assim a construção e fortalecimento dos laços entre eles. Além disso, o espaço do grupo torna-se um local fértil para a socialização dos integrantes, que acabam criando uma grupalidade ao longo dos encontros e até mesmo amizades que podem ir para além do espaço. Os contos são ricos o suficiente para não entrar em nenhum rótulo. Aceitam todo tipo de leitura e aplicação, mas terminam abertos, prontos para uma reutilização conforme as nossas necessidades. A nossa foi a terapêutica, que fez de todos nós, adultos e crianças envolvidos nesse trabalho brincalhão, seres mais suficientemente narrativos, à antiga, ou seja, narrando junto com os sentimentos. Nesse embalo, tornamo-nos também mais capazes de sentir, pensar, sonhar novas narrativas (Gutfreind, 2020, p. 142). A Oficina de Contos é organizada com encontros semanais de cerca de uma hora de duração, onde as crianças entram em contato com a leitura, realizam atividades lúdicas e passam por momento de socialização. O grupo é coordenado por duas estagiárias e supervisionado por uma psicóloga formada e especializada. As histórias escolhidas são selecionadas pela demanda do próprio grupo e por identificações de necessidade das coordenadoras. O grupo é composto por duas meninas e um menino de 8 a 9 anos de idade. Um grupo repleto de crianças traz uma série de coisas, como energia, brincadeiras, risadas, corridas, piadas e muito mais. Mesmo às 17h, final da tarde, as crianças chegavam cheias de energia e animadas pela possibilidade de um encontro, dispostas a aproveitar cada segundo compartilhado entre si e com as coordenadoras. Contudo, um grupo que tem como prioridade os contos se deparou com o fato das crianças não se interessarem tanto por histórias. Os clássicos trazidos nos encontros já eram conhecidos e não interessavam, e os livros atuais cansavam depois de poucas páginas.
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