77 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade ções referem-se ao tempo de tela indicado pelas faixas etárias e conteúdos específicos a cada idade. E ao fim, questiona-se: será que as famílias têm respeitado essas indicações? Como futura profissional da Psicologia, entendo como importante conhecer o universo das crianças sem trazer um viés particular e preconceituoso sobre a divergência cultural da infância atual e as infâncias de alguns anos atrás. O conceito de abstinência, dentro da psicanálise, é utilizado como mecanismo de fazer com que não se corresponda ao que o paciente deseja e, mediante essa técnica, trabalhar a resistência que vier (Arrosi; Silva, 2022). No caso da Oficina de Contos, o esperado pelos integrantes era o uso das telas, no entanto quando foi oferecido histórias em papel, isso não foi tão bem-visto inicialmente. Nesse sentido, compreender que a tecnologia não é uma vilã não é retirar seus malefícios quando usada excessivamente pelas crianças, muitas vezes sem supervisão dos pais; mas sim uma oportunidade de repensar como ela tem sido presente e como fazer sua permanência na infância de modo mais consciente e benéfico para o desenvolvimento criativo dos pequenos. Por fim, esse texto não tem como objetivo trazer respostas prontas ou resoluções, mas sim ser um instrumento para estimular o pensar e o refletir sobre esta temática tão importante que é a infância contemporânea e seus múltiplos atravessamentos. Entende-se que a construção psíquica do indivíduo é perpassada pela tecnologia e a significa consideravelmente em seu cotidiano atualmente, sendo assim, é importante uma abertura para compreender e incentivar novos espaços de descobrir, inventar, sonhar e ser! Compreendo que a Oficina de Contos tem se mostrado um lugar potente para se construir um equilíbrio entre o livro e a tela, não só com os pequenos, mas também com seus pais e/ou cuidadores, considerando que eles também participam do processo, com encontros conjuntos com as crianças e encontros individuais sempre que necessário. Considero que o trabalho realizado e aqui apresentado, contribui para o desenvolvimento emocional das crianças, numa aposta no futuro e, também proporciona um exercício profissional bastante promissor. Cem alegrias para cantar e compreender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar. (Malaguzzi, p. 12, 2016)
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