82 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade redes de apoio, que também devem ser contempladas no processo da avaliação (Krug; Bandeira; Trentini, 2016a). Em consonância, Petersen e Koller (2006) também colocam em evidência que a avaliação psicológica deve estar baseada em investigações que envolvam o contexto, valores e o cotidiano, na relevância de que o método psicológico capture a realidade do sujeito avaliado. As autoras reforçam que o exercício da psicologia deve manter sua interlocução com as políticas públicas, de maneira a ampliar o campo de atuação da avaliação psicológica, incorporando a avaliação de processos e dos impactos dos programas sociais. Nessa perspectiva, destaca-se a Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde (SUS) que propõe a integração entre usuários, trabalhadores e gestores na produção e gestão coletiva do cuidado em saúde (Brasil, 2013). Ao abordar diferentes dimensões da produção de saúde, a PNH atribui relevância ao acolhimento, compreendido como o reconhecimento das demandas de saúde expressas pelo usuário. Esse processo envolve não apenas a construção de uma relação com a pessoa atendida, mas também com os dispositivos disponíveis na rede de saúde e com a rede socioafetiva do sujeito. A PNH ressalta, ainda, que a escuta qualificada pelos trabalhadores da saúde às necessidades do usuário possibilita oferecê-lo acesso às tecnologias adequadas às suas necessidades, promovendo a efetividade das práticas de saúde. Dessa forma, torna-se essencial considerar a avaliação da vulnerabilidade, gravidade e risco envolvidos em cada caso (Brasil, 2013). No âmbito da atenção à saúde da criança, observa-se uma realidade que ainda enfrenta importantes desafios. Entre eles, destacam-se a limitação de recursos disponíveis, a fragmentação da articulação entre os diferentes níveis de atenção e a necessidade de qualificação contínua dos profissionais envolvidos no cuidado. Somado a isso, Rozeira et al. (2021) apontam que o fenômeno da patologização e medicalização, vinculado ao cenário contemporâneo da saúde mental infantil, revela uma tendência à delegação de responsabilidades, em detrimento da promoção e oferta efetiva de cuidados. Esses aspectos, conjuntamente com o predomínio dos saberes biomédicos (Gerbaldo et al., 2018), sinalizam uma crescente preocupação na condução das práticas de saúde, o que contribui para o distanciamento em relação às diretrizes propostas pela PNH.
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