85 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade clínica ampliada, a assegurar intervenções que promovam um cuidado atento e comprometido com a saúde mental infantil, que incide diretamente nos rumos e possibilidades de muitas vidas. A prática e a formação: o psicodiagnóstico no contexto da clínica ampliada A demanda por psicodiagnóstico que chega ao serviço-escola é atendida por meio de consultas semanais, que envolvem tanto sessões investigativas quanto interventivas. O processo inclui entrevistas com os responsáveis, entrevistas com os demais profissionais que acompanham a criança, sessões lúdicas e a aplicação de testes psicológicos, com o objetivo de reunir o maior número possível de informações a partir das hipóteses levantadas (Krug; Bandeira; Trentini, 2016b). Essa dinâmica busca aprofundar os resultados e possibilitar uma devolutiva qualificada à criança e aos seus responsáveis. A partir desse retorno, a família pode ser orientada na busca por recursos especializados que contribuam com o cuidado e acompanhamento necessários da criança. Ressalta-se que na ação de Avaliação Psicológica realizada no PAAS, busca-se ir além da demanda por um diagnóstico infantil, contrapondo-se às concepções reducionistas da infância. Prioriza-se que a criança que passa pelo serviço possa ser olhada e investida, reconhecendo o movimento da infância em sua criatividade, singularidade e capacidade de reinvenção. O processo avaliativo é conduzido sob a perspectiva de uma prática que busca dar visibilidade a aspectos subjetivos, emocionais, cognitivos, relacionais e contextuais da criança, dimensões que necessitam ser investigadas, compreendidas, acolhidas e, muitas vezes, ressignificadas. Por meio dos instrumentos de avaliação, possibilita-se uma investigação das demandas recorrentes da infância, articulando-as à realidade expressa pela criança avaliada, considerando a forma com que ela reage e lida com as questões do seu desenvolvimento e da sua história. Dessa forma, a avaliação psicológica se propõe como um recurso potente para desmistificar dificuldades e problematizar estigmas decorrentes de hipóteses diagnósticas. No contexto da clínica ampliada, o diagnóstico deixa de ser concebido como mera classificação ou rotulação de sintomas, passando a ser entendido como um processo construído em diálogo com a singularidade da criança e com seu con-
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