Infâncias na contemporaneidade

86 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade texto de vida. A clínica ampliada, nesse sentido, propõe um olhar que transcende o modelo biomédico tradicional, ao considerar as múltiplas dimensões que atravessam o sujeito: subjetivas, sociais, familiares, escolares e culturais (Cervo; Silva, 2014). Em vista disso, no âmbito do processo psicodiagnóstico realizado no PAAS, o diagnóstico não se encerra em um laudo ou nomenclatura, mas se constitui como uma ferramenta que orienta o cuidado à criança. O comprometimento do PAAS com a infância perpassa os processos de psicodiagnóstico desde a entrevista inicial com os cuidadores da criança, bem como no planejamento dos encontros subsequentes. Nesse sentido, busca-se fomentar o vínculo dos responsáveis com o serviço, reconhecendo-o como um facilitador do processo de avaliação. Além disso, ampliam-se os espaços de escuta, troca e diálogo com as demais figuras da rede de cuidado da criança, favorecendo a construção de um olhar ampliado sobre seu contexto. Para garantir a qualidade desse processo, os espaços de supervisão são priorizados como parte fundamental, configurando-se como momentos de discussão dos casos acompanhados. Nesses encontros, busca-se integrar as impressões das estagiárias de psicologia, responsáveis pelos casos ao longo dos atendimentos, com os aportes teóricos e a mediação da supervisora profissional. Tal articulação permite ampliar como a infância está sendo compreendida e produzida, investindo-se, assim, em uma cuidadosa ponderação sobre o enquadramento clínico atribuído à demanda e sobre as medidas terapêuticas indicadas, assegurando que a criança seja incluída ativamente na construção desse percurso. Concomitantemente, no que se refere à formação profissional em psicologia, a atuação na ação de avaliação psicológica oferece, além do contato com processos, ferramentas, testes e sessões lúdicas investigativas, a oportunidade de articular a teoria com a prática, na interlocução entre os saberes acadêmicos e o exercício profissional. Por meio dos espaços de supervisão, constroem-se relações mútuas de aprendizagem, sustentadas pelo compartilhamento dos casos, aprofundamento teórico, troca de percepções e reflexões. Essa experiência representa um momento significativo na formação, no qual as estagiárias se voltam coletivamente para as práticas, estratégias e conhecimentos, assumindo uma postura implicada diante dos contextos e comprometida com a complexidade do cuidado em

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