93 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade No estudo de Hensler et al. (2025), realizado com crianças de escolas públicas em Londres, os autores identificaram três principais estilos de enfrentamento: evasão (evitar pensar sobre o tema para reduzir o sofrimento), engajamento ativo (mobilização em ações cotidianas, como reciclagem ou protestos) e ressignificação (busca por esperança, valorização da solidariedade ou da ciência). Curiosamente, o estudo mostrou que crianças que participavam de projetos ambientais nas escolas apresentavam níveis mais equilibrados de ecoansiedade, sugerindo que a ação concreta funciona como um importante fator de proteção emocional. Outro dado relevante é o papel das figuras adultas nesse processo. Crianças que contam com a escuta ativa de pais, professores e cuidadores tendem a elaborar suas emoções com mais segurança e confiança. Por outro lado, quando essas preocupações são desvalorizadas ou ignoradas pelos adultos, os sentimentos de desamparo e impotência tendem a se intensificar, tornando-se mais difíceis de manejar (Hensler et al., 2025; Hickman, 2024). Além disso, observa-se que, em ambientes onde o discurso sobre o colapso climático é alarmista ou fatalista, sem oferecer possibilidades de ação ou acolhimento, há maior risco de que a ecoansiedade se torne paralisante. Nessas situações, os sentimentos de desesperança e culpa podem se cristalizar e interferir na saúde mental e na confiança das crianças em relação aos adultos e às instituições (Hickman, 2024; Pihkala, 2020). Invisibilidade da infância na crise climática brasileira O relatório do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI, 2025) chama a atenção para o paradoxo que atravessa o debate sobre a crise climática: embora a primeira infância seja reconhecida como o grupo etário mais vulnerável aos efeitos diretos e indiretos das mudanças ambientais (UNICEF, 2022), ela continua sendo sistematicamente excluída dos planos de mitigação e adaptação. Essa exclusão não se dá apenas pela ausência de políticas públicas direcionadas, mas também pela falta de escuta institucionalizada das crianças, cujas vivências e emoções raramente são levadas em conta nas decisões ambientais e sociais (NCPI, 2025). Enquanto países do Norte Global já vêm desenvolvendo estratégias de inclusão das infâncias em ações climáticas, promovendo educação emocional, formação docente sensível aos efeitos psíquicos do
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