97 Cadernos do PAAS, volume 12 - Infâncias na contemporaneidade Constatou-se que, embora a literatura internacional venha avançando na tematização das emoções ecológicas na infância, no Brasil ainda há escassez de estudos, ferramentas diagnósticas e políticas públicas voltadas à escuta e ao cuidado das crianças em contextos de emergências climáticas. Ainda, a ausência de uma abordagem intersetorial que articule saúde mental, educação ambiental e justiça social compromete a capacidade de resposta diante da intensificação dos eventos extremos. Entretanto, experiências pontuais analisadas, como o uso do brincar em contextos como os vividos por inúmeras famílias no Rio Grande do Sul, revelam caminhos possíveis de acolhimento e reconstrução afetiva. O brincar, nesse contexto, mostra-se como uma linguagem fundamental da infância e um dispositivo potente de elaboração simbólica do trauma. Conclui-se, assim, que reconhecer as crianças como sujeitos ecológicos, éticos e afetivos é um passo necessário para repensar as estratégias de enfrentamento da crise climática. Trata-se de ir além da proteção física, assegurando também o direito à escuta, à participação e à saúde mental em tempos de crise climática. A crise climática é também uma crise de cuidado, e dela não se sai sem transformar nossas formas de escutar e sustentar as infâncias. Referências ABRIGOS criam espaços de brincadeiras para crianças no RS. Bom dia Brasil, São Paulo, 14 maio 2024. Disponível em: https:// globoplay.globo.com/v/12594115/. Acesso em: 27 jul. 2025. ALMEIDA, Amanda Freire de; COSTA, Luciano Rodrigues; JUNQUEIRA, Ana Beatriz; NOGUEIRA, Erica de Toledo; ANDRADE, Isabella Rogério de Jesus. Suspeita de estresse pós- -traumático na infância. Caminhos da Clínica, n. 4, 2025. DOI: 10.47385/camclin.4529.4.2025. Disponível em: https:// unifoa.emnuvens.com.br/caminhos/article/view/4529. COSSMAN, B. Anxiety Governance. Law & Social Inquiry, v. 38, n. 4, p. 892-919, 2013.
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