Rede de Saberes, Edição 2025

439 XXXII MOSTRA UNISINOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA De 29/09/2025 a 03/10/2025 Unisinos São Leopoldo e Porto Alegre Ciências Humanas - Programa de Pós-Graduação em História Autor(a): Ariane Jorgina de Almeida Coautor(es): Modalidade de Bolsa: Orientador(a): Deise Cristina Schell “ERA UMA VEZ A RAINHA DO LAR”: A DUPLA JORNADA DE TRABALHO E A LUTA POR CRECHES NOS JORNAIS FEMINISTAS BRASIL MULHER E NÓS MULHERES (1975-1981) Este projeto de pesquisa investiga como os jornais alternativo-feministas Brasil Mulher (1975-1980) e Nós Mulheres (1976-1978) articularam as demandas por creches públicas e o debate sobre a dupla jornada de trabalho feminino durante os anos finais da Ditadura Militar brasileira (1964-1985). O recorte temporal contempla o período de 1975, declarado Ano Internacional da Mulher pela ONU, à 1981, ano em que aconteceu o Encontro Nacional sobre Creches, marco das reivindicações debatidas nos periódicos e nos movimentos de mulheres da época. A partir da análise documental dos jornais e do uso de entrevistas, bibliografia especializada e manifestos populares da época, busca-se compreender de que forma as mulheres editoras e militantes desses veículos denunciaram a ausência de políticas públicas de cuidado, sobretudo no que se refere à maternidade operária e a invisibilidade da realidade de dupla jornada de trabalho feminino. A pesquisa parte da hipótese de que os jornais analisados desempenharam papel crucial na formulação e propagação de pautas feministas que eram marginalizadas tanto pelo regime autoritário quanto pelas organizações de esquerda, nas quais predominava uma divisão patriarcal das funções e um silenciamento das discussões sobre gênero, maternidade e sexualidade. Ao lançar luz sobre a luta por creches e a sobrecarga enfrentada pelas mulheres na conciliação entre trabalho produtivo e reprodutivo, o estudo dialoga com autoras como Flávia Biroli (2018), Heleieth Saffioti (1969) e Silvia Federici (2019), ao discutir a centralidade do trabalho doméstico não remunerado na manutenção das desigualdades de gênero e na exclusão política das mulheres. Com uma abordagem qualitativa e histórica, a pesquisa insere-se nos estudos de gênero e da imprensa alter-

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