Rede de Saberes, Edição 2025

737 MINHA PESQUISA EM 180 SEGUNDOS De 29/09/2025 a 03/10/2025 Unisinos São Leopoldo e Porto Alegre podem não ter se mantido associados na análise de regressão devido ao clima positivo ter sido mais prevalente neste estudo, reforçando a ideia de que um bom clima de trabalho proporciona um ambiente mais saudável, favorecendo a saúde e bem-estar do trabalhador (Ribeiro; Veiga, 2022). Todavia, há décadas Christophe Dejours afirmou que não existe neutralidade entre o trabalho e a saúde do trabalhador (Dejours, 1987). Tal afirmativa expressa que, dependendo do contexto do trabalho, este pode ser tanto uma fonte de realização e prazer quanto de sofrimento e adoecimento, estando essa ideia alinhada com o conceito de clima ético organizacional, o qual refere-se às normas, valores e práticas que definem a forma como o trabalhador percebe seu ambiente de trabalho, bem como às suas repercussões. Esta pesquisa evidenciou que, cerca de 3 a cada 10 profissionais vivenciam sintomas de ansiedade, 2 a cada 10 vivenciam sintomas depressivos e um quarto dos profissionais de saúde visualizam o clima organizacional como negativo. Considerando as condições particulares presentes nos serviços da APS, como precariedade da ambiência física, sobrecarga de responsabilidades, déficit na comunicação, desafios do trabalho em equipe, fluxo contínuo e acelerado de informações pouco delimitados e direcionados, falta de reconhecimento dos serviços e falta de reconhecimento profissional (Amaral et al., 2021), estes achados direcionam o olhar para o cuidado da saúde dos profissionais em duas direções: (1) Suporte: cuidar dos que já apresentam sintomas ansiosos e depressivos, buscando reduzi-los e/ ou eliminá-los e (2) Proteção: cuidar daqueles que não apresentaram níveis de ansiedade e depressão, para que não os desenvolvam. Desse modo, compreende-se que o trabalho em saúde é coletivo e realizado por diferentes profissionais da saúde, porém, todos com um objetivo em comum: cuidar da saúde das pessoas (Machado et al., 2023). Contudo, permanece a indagação: “E da saúde destes profissionais, quem cuida?” Nessa direção, ressalta-se a importância de políticas e normas existentes, como a Política Nacional da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), uma política transversal que visa a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores (Brasil, 2012) e, a Norma Regulamentadora número 32 (NR 32), que estabelece as diretrizes

RkJQdWJsaXNoZXIy MjEzNzYz