52 ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS até dos gestores educacionais dos municípios, dos estados, ou não era? Ou um determinado grupo, que acreditava nisso, colocou, mas não era uma ideia que estava disseminada entre os gestores educacionais de uma forma geral. Não sei se é isso, o que é que o senhor acha desse ponto? A escola é um espaço de formação de cidadãos ativos e aí ele entra numa escola, no estabelecimento, e não vê sinais de democracia na própria gestão desse ambiente. Então, fica difícil até de cumprir essa meta. Eu queria ouví-lo falar um pouco sobre isso, por que o senhor acha que só 7% depois de 10 anos e se é que esse 7%, é o resultado da realidade da gestão? Vamos conseguir avançar nos próximos anos? Não parece que os números estejam indicando isso. O que lhe parece? CARLOS ROBERTO JAMIL CURY Bom, esse é um assunto que toca muito na vertente federativa. Já é comum na área saber, por exemplo, que em São Paulo a gestão é por concurso. É um esquema outro. Bem, se você impõe uma meta dessas, como é que fica sobre São Paulo? Em Minas é cargo. Não é função, é cargo. Então, como é que você impõe uma coisa dessas se o cargo é privativo do governador, da governadora? E, em muitos lugares, é função, ou seja, aqui entra a questão da capacidade política. Exceto com relação a São Paulo, que é concurso. Aí, como é que você gerencia isto? O MEC sempre tentou gerenciar isso, porque isso vem do MEC, através de convênios. Eu faço um convênio e dentro do convênio eu ponho essa pré-condição, só que essa pré-condição, tem registros diversificados em cada estado. Em alguns lugares, a função ou cargo de gestor ou gestora da escola ainda é algo muito ligado ao mandonismo local. Então, quando eu dizia a vocês que a noção de sistema encontrou dificuldades em relação aos estados, que eles temiam que a noção de sistema pudesse avançar sobre a autonomia deles, tem muito a ver com esse tipo de coisa. Agora, eu penso, professor Artur, que a meta precisa ser a meta possível, portanto, é com base na radiografia, uma radiografia grossa, uma radiografia fina, você vê qual é possível. Se a gente brigar sempre pelo inalcançável, nós vamos ter dificuldade com a capacidade política. É muito difícil lidar com isso porque se há uma categoria que apanha, é a dos docentes. Não apanha fisicamente, não é isso que eu quero dizer...
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