125 Eixo VI - Diversidades, inclusão e diálogo com a sociedade Coord.: Viviane Weschenfelder SILVANA BIANCHI; VIVIANE INES WESCHENFELDER Universidade do Vale do Rio dos Sinos –UNISINOS Programa de Pós Graduação em Educação silvanab@unisinos.br; vweschenfelder@unisinos.br METODOLOGIA A pesquisa teve natureza qualitativa e participativa. Foi realizada junto a Oficina de Origem, vinculada ao Programa Pró-Maior, da Universidade do Vale dos Sinos – Unisinos, coordenado pela pesquisadora. Foram participantes 25 idosas, dentre estas 22 mulheres brancas e três negras. A coleta de dados ocorreu entre abril a novembro de 2023, a partir de observação participante, registros em caderno de campo, coleta de depoimentos escritos das idosas, fotografias das atividades e gravação dos encontros. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo buscou compreender desafios significativos na reeducação das relações étnico-raciais brasileiras, especialmente devido à lentidão e resistência à mudança enquanto preconceitos estruturais, particularmente entre pessoas idosas. A oficina transcendeu o alcance de participantes por meio de apresentações e eventos, demonstrando o potencial da educação continuada em promover inclusão e respeito mútuo em diferentes espaços sociais. A pesquisa mostrou a necessidade de desenvolver programas educativos que considerem as experiências de vida dessa população mas busque a aprendizagem por toda a vida, a fim de efetivar uma transformação cultural e social positiva para si e para a sociedade como um todo. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Silvio Luiz de. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte: Letramento, 2018. BEAUVOIR, Simone de. A velhice: o mais importante ensaio contemporâneo sobre as condições de vida dos idosos. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. BENTO, Maria Aparecida Silva. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. CANDAU, Vera Maria. Multiculturalismo e educação: desafios para a prática pedagógica. MOREIRA, Antônio Flávio; CANDAU, Vera Maria (orgs.). Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 13-37. HOLLIDAY, O. J. Sistematização das experiências: algumas apreciações. In: BRANDÃO, Carlos Rodrigues; STRECK, Danilo Romeu (Orgs.) Pesquisa participante: a partilha do saber. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2006. p. 227-243. RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir dos dados coletados, que foram categorizados e organizados em grupos de sentido na perspectiva da sistematização da experiência (Holliday, 2006), destaca-se como resultados da pesquisa os seguintes tópicos: • Abertura ao diálogo: Foi evidenciada uma maior abertura das idosas para entender e aceitar as diferenças étnico-raciais, promovendo diálogos construtivos que contribuem para a redução de resistências e tensionamentos culturais. “Muitas expressões foram de alto conhecimento para mim e também para colegas, então foi um aprendizado muito valioso. Pois temos que refletir, para não machucar e tornar pejorativo. Axé!” (Relato de participante 11, 2023). • Reeducação das Relações Étnico-Raciais: A oficina serviu como um instrumento de reeducação, encorajando a reflexão crítica sobre as dinâmicas raciais e incentivando mudanças positivas nas atitudes e comportamentos dos participantes. “O racismo existe, embora diga que não. Quem mais percebe são as pessoas negras. O racismo é sutil. Ninguém diz abertamente que não gosta, que não vai admitir um negro em sua empresa, por exemplo” [...] (Relato de participante 17, 2023). • Valorização das Mulheres Negras: O envolvimento de mulheres negras participantes na oficina evidenciou o papel vital dessas vozes na desmistificação de estereótipos e no fortalecimento da representatividade. Além disso, oportunizou reflexões importantes sobre as diferenças culturais e e raciais. “Durante o ensaio, uma senhora negra, integrante do grupo, trouxe à sua preocupação em relação ao uso de turbantes, afirmando que não deveria ser usado cotidianamente por pessoas brancas, pois esse acessório simboliza a resistência das mulheres negras.” (Registros do diário de campo, 2023). Fonte: Arquivo pessoal da autora (2023). Fonte: Arquivo pessoal da autora (2023). EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA ENTRE PESSOAS IDOSAS: UM ESTUDO A PARTIR DE UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA INTRODUÇÃO O presente estudo resulta da articulação de duas temáticas significativas no contexto social: o envelhecimento humano e as relações étnico-raciais, a partir de um grupo de convivência de pessoas idosas. Embora não sem resistência dos movimentos sociais negros, as décadas de 1970 e 1980 foram períodos que o racismo foi mais naturalizado na sociedade brasileira. Essa geração de adultos, agora idosos, encontra-se em uma posição única para refletir e transformar as concepções e atitudes racistas que foram normalizadas em seu tempo. Esta aprendizagem, todavia, só é possível quando há espaços que contribuem para ampliar o repertório cultural e reeducar as relações étnico-raciais. O estudo teve como objetivo compreender como as pessoas idosas podem reeducar suas relações étnico-raciais a partir das experiências no Programa PróMaior/Unisinos.
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