VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

132 Eixo VI - Diversidades, inclusão e diálogo com a sociedade Coord.: Viviane Weschenfelder Projeto de educação na perspectiva inclusiva: desafios, limites e possibilidades na trajetória de uma escola da rede privada Janaina Kunzler (UNISINOS); Marinice Souza Simon (PUCRS) kunzler79@gmail.com; marinice@gmail.com METODOLOGIA A pesquisa de abordagem qualitativa (BOGDAN, BIKLEN, 1994) visa apresentar, mediante um estudo de caso (YIN, 2005), os passos da trajetória inclusiva percorrida por uma escola privada de Porto Alegre (RS), no intuito de mostrar as possibilidades de mudança, de forma a atender o desafio da inclusão no meio escolar. A coleta de informações, realizadas no ano letivo de 2019, concretizou-se por meio de observações assistemáticas do cotidiano escolar e de entrevistas semiestruturadas, realizadas individualmente com as duas gestoras da escola. Salientamos que a direção é partilhada entre ambas, que lideram os diferentes processos presentes na instituição, de diferentes lugares (administrativo e pedagógico), em constante conexão e sintonia. O tratamento das entrevistas foi dado mediante a análise de conteúdo, referenciada por (BARDIN, 2007). Foram construídas unidades de registro e separados aspectos que se repetiram nas falas, agrupando-os em categorias que representaram grupos de significados reunidos por incidência comum a todas as respostas. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS Não há certezas permanentes neste ambiente inclusivo desejado para os novos recintos escolares. O inusitado é oferecido no dia a dia pelas reações mais variadas de cada aluno. Então, mediante os relatos das gestoras, percebemos a necessidade de movimentos significativos, no sentido de prover meios para a construção de uma escola para todos – uma construção real, que contribui para a transformação de um quadro segregador em um quadro harmônico, composto pela riqueza da diversidade. A formação de uma equipe atuante, estudiosa e profundamente sensibilizada pelo desafio da inclusão é basilar para que se faça a transição/evolução do desejo de acolhida para a condução consciente e capacitada de um projeto solidamente construído dentro dos princípios norteadores da educação inclusiva. Os desafios são inúmeros, os limites diversos, mas a inclusão é possível. Trabalhar neste estudo de caso possibilitou perceber a riqueza contida na trajetória de criação de um projeto de educação na perspectiva inclusiva, em específico nos aspectos relacionados à gestão – administrativa e pedagógica – no ambiente de uma escola de educação básica pertencente à rede privada de ensino. REFERÊNCIAS BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo: procedimentos metodológicos. Lisboa: Edições 70, 2007. BRASIL. Ministério da Educação – MEC. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão Diretoria de Políticas de Educação Especial. Nota Técnica nº 15, de 2 de julho de 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/. Acesso em: 25 ago. 2017. BRASIL. Lei nº 13.146, de 06 de julho de 2015. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 25 ago. 2017. CARVALHO, Rosita Edler. Escola inclusiva: a reorganização do trabalho pedagógico. Porto Alegre: Editora Mediação, 2014. DECLARAÇÃO de Salamanca e linha de ação sobre necessidades especiais. Brasília: [s. n.],1994. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por que? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. MITTLER, Peter. Educação Inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. SAGE, Daniel. Estratégias administrativas para realização do ensino inclusivo. In: STAINBACK, Susan; STAINBACK, Willian. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. YIN, Robert. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2005. RESULTADOS E DISCUSSÃO O cotejamento das unidades de significado possibilitou estabelecer uma conversa entre elementos empíricos ali presentes e dados teóricos, frutos do estudo constante de bibliografia especializada, para, assim, estabelecer categorias. Nesse sentido, estruturaram-se aspectos comuns que deram origem às quatro categorias aqui apresentadas. Trajetória inclusiva: um olhar retrospectivo A análise revelou uma ideia processual realizada na escola, no que se refere a rotinas pedagógicas (metodologias, condições para ingresso e avaliação), construção de documentos basilares, preparação docente, acessibilidade e outros aspectos pertinentes ao processo em análise. Ficou evidente a percepção de que ser escola inclusiva exigiu percorrer passos distintos, originados pelo desejo inicial de acolher todos e, na sequência, evidenciou a necessidade de também reunir estudo e pesquisa para o melhor delineamento da proposta. No início da trajetória, observou-se a necessidade de ação prévia, no sentido de sensibilizar a comunidade escolar para os desafios da inclusão. Preparando a instituição e as pessoas Esta categoria traz, de forma acentuada, os relatos que evocam a etapa subsequente à sensibilização descrita pelas gestoras, observando-se a descrição da passagem, no percurso, para uma fase mais concreta, de “mãos à obra”, na qual mudanças mais perceptíveis foram realizadas na infraestrutura, no ambiente escolar e nos grupos de trabalho. A escola investiu na reestruturação e/ou formação da equipe pedagógica, na aquisição e construção de recursos adequados e na contratação de pessoal especializado. INTRODUÇÃO A educação numa perspectiva inclusiva impõe-se hoje como um grande desafio carregado de expectativas que não podem paralisar os envolvidos, mas antes reunir movimentos significativos, que abracem dinamicamente o projeto a ser instalado no meio escolar. É preciso entender que o passo principal é transformar a escola ou, como aponta Mantoan (2003, p. 56), “virá-la do avesso”. Na análise do espaço de construção de uma escola inclusiva, buscamos, no cenário desta pesquisa, identificar desafios, limites e possibilidades que caracterizassem a potência e os riscos presentes no contexto estudado. O entrelaçamento das ações administrativas e pedagógicas: gestão do projeto inclusivo Observa-se a importância da caminhada conjunta entre gestão pedagógica e administrativa, cabendo à primeira o sonho, a reunião de ideias, a construção de um arcabouço teórico e a preparação do pessoal envolvido e à segunda a sustentação material para a estruturação dos aportes necessários e a alocação de recursos viabilizadores do novo passo dado pela instituição. Viabilidade do projeto de educação na perspectiva inclusiva e sustentabilidade da escola privada Nesta última categoria evidenciam-se as principais variáveis apresentadas pelas gestoras no que se refere à possibilidade de viabilizar o trabalho inclusivo associado à sustentabilidade da escola. De acordo com a gestão da escola investigada, percebe-se a relevância do financiamento e da sustentabilidade da escola em consonância com o entendimento de que a inclusão escolar veio para, de certa forma, revolucionar o sistema de ensino e as escolas. Muitos são os impactos e as mudanças necessárias nos processos da escola para que ela se torne inclusiva e, para isso, o planejamento econômico-financeiro deve estar em conformidade com as necessidades e possibilidades da escola. Entre todas as leituras e estudos realizados ao longo da investigação, destacamos Mittler (2003, p. 236) como um autor que apresenta considerações preciosas acerca das dificuldades encontradas no percurso de instalação da inclusão no meio escolar, quando afirma que “não há nenhuma estrada da realeza para a inclusão, porém, há um consenso de que ela é um processo e uma jornada e não um destino”.

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