40 ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS e eu tive que participar, fazer as duas. Então isso mais do que prova a descontinuidade, porque tinha sido feito todo um trabalho, toda a conferência em todos os níveis. Só faltou o nível federal, mas já tinha sido feito no municipal, nível estadual, a primeira Conae, e agora tivemos a segunda em três níveis novamente. CARLOS ROBERTO JAMIL CURY Tem razão, Julia. É isso mesmo. Então vocês são testemunhas vivas dessa descontinuidade. Só que o nosso papel é contínuo como mestres e mestras. Vejam bem, agora, a ideia de sistema foi recusada durante muito tempo, por três razões: A primeira razão veio da iniciativa privada. A iniciativa privada, sobretudo nos anos 1930, nos anos 1950, agora também, porém só por um grupinho muito pequeno, mas na década de 1950 e na década de 1930, era um grupo grande. Eles vieram com o fantasma de que haveria um monopólio do Estado, coisa que nunca houve. Se tem algo no Brasil que teve continuidade foi a chamada liberdade de ensino com a sua diversidade interna. “Olha o Estado, vai pegar tudo”. Não, não é verdade, nunca houve isso, nem como proposta. Então a ideia de Sistema, que tem uma característica mais específica e mais abrangente do que Plano. A ideia do Sistema é de uma articulação, de uma coordenação com finalidades comuns, com diretrizes comuns, mas sobretudo, com uma coordenação e uma formulação comuns. Dentro disso, entra a Gestão. O segundo adversário da questão de Sistema foram os estados que, zelosos da sua autonomia, diziam: “olha, quem sabe a União vai querer agora abocanhar a nossa autonomia e nós vamos ficar heterônomos, mas nós não queremos ficar heterônomos, nós queremos ficar autônomos”. Então os estados também foram adversários e, curiosamente, a União sempre foi adversária. Por quê? Porque ela dizia: “ah, querem um sistema, para a União, ser o cofre? Então nós não queremos ser o cofre, nós queremos ser mais do que o cofre e o cofre tem que ser dividido”. Essas três razões impediram que nós tivéssemos um Sistema Nacional de Educação, até porque nós somos um país federativo. A ideia de Sistema Nacional pega bem na França, no Uruguai, ela pega bem no Chile. Ela pega bem nesses países que não são federativos. São países unitários e menores, embora haja a Alemanha e a Bélgica, que são países federativos, a Bélgica é pequenininha, mas ela é federativa. A Alemanha, maior do que o Rio Grande do Sul, mas ela
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