VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

73 Eixo I - Currículo, docência e políticas educacionais Coord.: Daianny Madalena Costa Infâncias e relevâncias. O subjetivo, as doenças e as violências Nomes dos autores: Alice Mattos Machado e Daianny Madalena Costa Egresso UNISINOS. alicemmachado@gmail.com; UNISINOS. daiannyc@unisinos.br METODOLOGIA A pesquisa bibliográfica buscou identificar, compreender e refletir sobre os elementos que contribuem para o(s) adoecimento(s) e para a crescente violência entre crianças em fase escolar, assim considerado o período compreendido entre a etapa do ingresso na vida escolar e a pré-adolescência (até os 12 anos, segundo a legislação), fatores que vêm se tornando um enorme desafio, também, no que se refere à construção da subjetividade humana frente aos valores morais, às autorregulações emocionais, mentais e psíquicas, além do autogerenciamento das diversas frustrações que compõem o fluxo da vida. Isso significa incluir as necessárias reflexões sobre a formação docente, já que, na escola, este profissional tem ação formativa em primeira instância junto aos alunos. As irritabilidades e agressividades verbais e/ou físicas, o desdém, o desrespeito aos seus pares ou, ainda, para com os adultos do seu cotidiano, além da intolerância e da incapacidade de lidar com a frustração, são formas de sintomatizar e manifestar os adoecimentos infantis que, em uma crescente assustadora e preocupante, desponta nas vivências dentro do espaço escolar. Enquanto tentamos encontrar a melhor forma de entender, conceituar e classificar estes episódios, profissionais da saúde e de áreas afins, que têm sido apoios importantes à seara escolar, destacam a necessária urgência de se discutir sobre esses comportamentos, estreitando cada vez mais os laços para o cuidado com estes infantes que expressam, em comportamentos inquietos e deseducados, os sintomas da aceleração da vida. E, por sua vez, a escola e os professores se mostram impotentes sobre suas contribuições pela ausência e ferramentas formativas. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS Entendemos a urgência da discussão, em movimento de formação docente, no tocante ao modo como as relações humanas têm sido conduzidas e ritmadas no contemporâneo, em ação contínua de aceleração e de excessos, os quais têm impactado as infâncias e influenciado a formação dos subjetivos em rituais e comportamentos de doenças (emocionais e psíquicas) e de violências. O social escolar tem sido cada vez mais bélico, sucumbindo a condição humana empática do público infantil. A sociedade precisa ter compromisso com a educação, com as aprendizagens que lapidam a espécie humana. Quem cuidará de quem diante de tantas atrocidades, fragilidades e indiferença? A escola, enquanto instituição de apoio à família na tarefa educativa, também se mostra frágil e adoecida. A formação docente carece de discussões sobre a realidade vivenciada para que, na relação de alteração e alteridade, encontre saídas ou formas de minimizar os impactos que têm sido cada vez mais assustadores, não só dentro e fora das escolas, mas também na sociedade, deflagrando, cada vez mais, o alerta ao estreitamento deste diálogo. REFERÊNCIAS - PAPÁLIA Diene E; FELDMANN, Ruth Duskin; MARTORELL. Desenvolvimento Humano. 12ª. Edição. Ed. Artmed, P. Alegre, 2013. - SARAIVA, Karla; LOUREIRO, Carine B. - Da inclusão digital ao digital que inclui. Cadernos de Educação –Faculdade de Educação – UFPel, n.62, jul/dez, 2019. P. 57 -72. –ISSN: 2178-079X–DOI: HTTPS://DOI.ORG/10.15210/CADUC.V0I6.19144 (Acesso em: 31/10/2020) - http://www.cdc.gov (Acesso 23/03/2024). - https://namidia.fapesp.br/fapesp-alerta-sobre-riscos-gerados-pelo-excesso-de-telas-entre-os-jovens-dor-nas-costas-e-puberdade-precoceestao-entre-os-problemas/429743 (Acesso 15/09/2023). - https://bvsms.saude.gov.br/sociedade-brasileira-de-pediatria-alerta-sobre-os-efeitos-do-uso-de-telas-na-visao-dascriancas/#:~:text=Os%20efeitos%20oculares%20de%20longo,impactado%20a%20vis%C3%A3o%20das%20crian%C3%A7as. (Acesso 17/09/2023) - https://vocerh.abril.com.br/futurodotrabalho/criador-do-termo-bani-explica-como-sobreviver-na-era-do-caos (Acesso 09/09/2023) RESULTADOS E DISCUSSÃO Identifica-se, a partir de alguns autores, elementos que impactam as variadas representações (adoecidas e deseducadas) do comportamento infantil, bem como a frágil construção dos seus subjetivos. Papália; Feldmann (2013) registram que o cérebro humano é mobilizado por estímulos ambientais, a partir de interações e experiências afetivas que contribuem para a organização das conexões neurais da criança. Dito isto, voltemos à grande ambiência estimulatória que é a própria vida humana. Em ritmo acelerado e tomada pelos excessos do consumo, os adultos se enredam em ciclos de esgotamento e regeneração dos corpos, em ações automáticas e ininterruptas, estabelecendo um descompasso entre a natureza e a vida humana que se edifica de modo cada vez mais individual, acentuando o vício dos consumidores imediatistas, impulsionado pelo advento da tecnologia. Por outro lado, o “nós” não se agrega mais aos “eus”, de modo que nos tornamos, cada vez mais, tão sós quanto antes. Já não mais se pergunta sobre “nós”, considerando não haver compartilhamento de experiências íntimas. O homem segue sem confiar, sobrevive e constrói subjetividades límbicas, sustentadas pelo “eu” e, embebecido pelas dores, experimenta a ausência de repertório afetivo, sucumbindo aos sofrimentos ou sendo geradores destes, ponto que talvez justifique ou explique violência crescente nos espaços de convívio escolar. Além destes, o colapso das instituições familiares frente à falta de solidez dos valores humanos contribui gravemente para este caos também no mundo infantil, que segue abandonado de adultos ou de referenciais capazes de fortalecer sua construção subjetiva. E, neste sentido, os impactos ressoam nas infâncias, mobilizando aprendizes propensos à construção de uma sociedade cada vez mais violenta e adoecida. Precisamos questionar os cenários da criança (sociedade, família e escola) e, neste recorte, o escolar, que pela ausência de pautas formativas docentes mais humanas capazes de possibilitar maior compreensão sobre a realidade de vida, junto à sobrecarga e exigências diversas, agrava o trato com as demandas emergidas a este público, na contemporaneidade. A escola, em sua formação original, avançou pouco ao longo dos séculos. Em razão das prioridades elencadas pela legislação, a dimensão cognitiva dos conteúdos, em detrimento das demais dimensões humanas, foi favorecida, potencializando ainda mais a desorganização humana, o sentido da própria existência, que se faz reverberada em inadequação comportamental, favorecendo as doenças e as violências também na infância. BULLYING CYBERBULLYING OUTRAS Obullying e o cyberbullying, enquanto expressões de comportamento agressor, assim como as demais violências presenciadas, são temáticas urgentes ao investimento dentro do ambiente escolar, pois mobilizam possibilidades para o adoecimento mental suscetível ao autolesionamento, ao suicídio e aos vícios. São muitas as amostragens de corpos e mentes que chegam aos seus limites, não mais suportando o sofrimento, e o desrespeito. (MACHADO; COSTA, 2024). Abusos Haters Discriminação Humilhação Cancelamento Intolerâncias Intimidação Julgamento Exclusões INTRODUÇÃO O tema é de relevância ao nos debruçarmos sobre a população infantil e suas variadas representações comportamentais (adoecidas e deseducadas) que têm relação imediata com o adulto. Na escola, os sintomas das doenças e das violências emergem, potencializando-se. Talvez, pelo fato de se exigir requisitos de socialização, mas que, infelizmente, as crianças se mostram cada vez mais incapazes de algo que deveria ser do convívio humano. E o agravante é perceber que, além das famílias, a escola está cada vez menos preparada para contribuir para a formação de subjetivos humanos fortalecidos. Isso diz também da formação docente, que segue distanciada da urgente discussão necessária para gerenciamento de tal demanda. O consumo, a velocidade e os excessos do capitalismo fortalecem, cada vez mais, o individualismo, modulando referências identitárias preocupantes, com doloroso reflexo em corpos e mentes das infâncias adoecidas, diante das demandas que a contemporaneidade tem imposto, em ritmo de respostas imediatistas, sem que o humano tenha tempo para tal processamento. Tabela 1 –Violências na escola Fonte: Machado; Daianny (2024) Tabela 2 –As doenças Fonte: Machado; Madalena (2024). Figura 2 –Doenças Psicoemocionais e Psiquiátricas. Fonte: http://www.cdc.gov (Acesso 23/03/2024). Diante da necessidade de trazer os novos sentidos à educação, demandados pelos tempos contemporâneos, cabe uma atenção ímpar à formação contínua docente, por entender que ela é uma ação fundamental, uma convocação necessária, considerando a educação do tempo presente. Pensar sobre os subjetivos infantis que se formam neste ritmo vivencial denso e intenso é um dado de profunda preocupação. Referenciais de violência e de doença estão cada vez mais presentes na escola - e não só nela -, demandando uma urgente discussão acerca dos sentidos da educação a despeito da condição humana e, ainda, sobre o conceito da própria aprendizagem humana, cuja fluidez tem sido impactada por tantos elementos da doença e da violência. Destacar o perfil do educador reflexivo, ativo e partícipe da escola e do seu objeto de estudo, que é o próprio aluno em formação subjetiva, é respeitar e fortalecer, no movimento de alteração e alteridade, o álter/ego, o sentido colaborativo para questão que ora se discute retomando, inclusive, a expressão da “sua voz”, quando da relação com a sua própria ação formativa. Psicoemocionais e psiquiátricas - Ansiedade - Automutilação - Suicídio - Aumento de prescrição e uso de medicamentos polifármacos: antidepressivos, anticonvulsionantes, sedativos e ansiolíticos. Físicas - Visão - Postura acorcundada - Obesidade - Prejuízos na coordenação motora fina - Uso de celulares/ telas em excesso - Sedentarismo - Uso do touch Sociais - Dificuldade de comunicação - Dificuldades metalinguísticas - Prejuízos na capacidade de socialização , isolamento, individualismo. - carência de vocabulário. Outras Reverberadas em sintomatizações - Dores de cabeça, estômago, enjoos. - Choros sem motivo aparente - Irritabilidade e impaciência - Inquietude e desinteresse. Reverberadas no âmbito acadêmico (aprendizagens) - Prejuízos na ação leitora: linguagem, compreensão, interpretação. - Perda de foco e atenção. - Dificuldades nas aprendizagens.

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