VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

86 Eixo II - Produção de conhecimento na interface com a cidade educadora Coord.: Luciana Maines da Silva EIXO II – PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NA INTERFACE COM A CIDADE EDUCADORA Coord.: Luciana Maines da Silva Cidades Educadoras: princípios oportunos para projetos de Arquitetura e Urbanismo Patrícia de Freitas Nerbas; Márcia Azevedo de Lima e Marcos Miethicki da Silva. UNISINOS; Arquitetura e Urbanismo e fnerbas@unisinos.br; malima@unisinos.br e mmiethicki@unisinos.br METODOLOGIA A pesquisa é exploratória e tem como fundamento a revisão de literatura sobre as cidades educadoras e as principais experiências no Brasil, reconhecidas pela Associação das Cidades Educadoras (AICE). A partir disso, foram selecionadas cidades brasileiras reconhecidas como educadoras para análise das características dos projetos apresentados como determinantes para serem assim consideradas, com o intuito de identificar aspectos comuns e soluções espaciais da estrutura dessas cidades. Dentre as cidades reconhecidas como Cidades Educadoras (AICE, 2023), foram selecionadas 3 como representativas da região Sul, Centro Leste e Norte. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS O artigo trouxe uma breve reflexão sobre as cidades educadoras e experiências no Brasil, com o objetivo de resgatar o conceito de Cidades Educadoras, ampliar a discussão sobre as contribuições possíveis da Arquitetura e Urbanismo para essas cidades e identificar elementos de projeto mais apropriados para a estrutura física de suporte dessas cidades. Foi verificado que as cidades implementaram diferentes projetos de acordo com o contexto local, mas possuem em comum a melhoria da interface da escola com a cidade, sendo que algumas cidades criaram equipamentos públicos e espaços públicos abertos. Determinados ambientes podem promover a interação e a aprendizagem, e uma valorização dos lugares públicos para um uso constante pela população. Assim, a Arquitetura e Urbanismo poderiam contribuir para as cidades educadoras no projeto de estrutura física de suporte mais adequado para as cidades, explorando as potencialidades educativas. Percebe-se que as cidades atuam de modo muitos díspares sobre o entendimento da espacialização das diferentes funções que as compõem e o quanto uma Cidade Educadora deve reconhecer a relevância da estrutura do território. Estabelecer parâmetros para a estrutura física de Cidades Educadoras parece ainda ser uma lacuna a ser desvendada. Talvez, as soluções espaciais para as cidades, possam ser uma maneira democrática e efetiva para a formação integral formal e informal da cidadania brasileira. Ao buscar recuperar o conceito de Cidades Educadoras, empreende-se a tarefa de apontar um conjunto de ações geridas nos territórios. Como exemplo, a cidade de São Leopoldo, RS que, embora não esteja classificada como Cidades Educadora, é protagonista em vários fóruns nacionais e internacionais os quais debatem temas que permeiam o conceito de Cidades Educadoras e desenvolve ações que são, na sua essência e acepção, promotoras do direito às cidades, sobretudo, no tange aos ODS. 12 Esse estudo de caráter exploratório ainda levanta novos questionamentos: as universidades, por meio de projetos de extensão, podem contribuir de forma mais efetiva para a criação de Cidades Educadoras? Novos estudos deverão ser feitos para aprofundamento destas e outras questões. Por fim, este artigo visa despertar para o fato de que a Cidade Educadora deve ser debatida por outras áreas, além da Educação, e deve atentar para a sua rede de espaços abertos e equipamentos públicos como espaços oportunos e necessários a efetividade da aplicação de seu conceito. Caso contrário, serão estratégias educativas pautadas no sistema de ensino tradicional, usualmente focado nos espaços escolares e alguns outros de suporte a estes. REFERÊNCIAS AICE. Carta das cidades educadoras. Disponível em: https://www.edcities.org/pt/carta-das-cidadeseducadoras/. Acesso em 06/04/2021, 2021. MORIGI, Valter. Cidades educadoras: possibilidades de novas políticas públicas para reinventar a democracia. 153f. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. NOGUEIRA, Pedro Ribeiro. Territórios educativos: como aprender na cidade? Disponível em: https://portal.aprendiz.uol.com.br/2015/04/06/territorios-educativos-como-aprender-na-cidade/. 06/04/2015, 2-15. SILVA, Dayana Araújo. Cidade e educação: o itinerário formativo urbano do bairro de Heliópolis em São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2019. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao longo da história diferentes aspectos contribuíram para a formação dos conceitos das Cidades Educadoras, sendo que atualmente há uma rede mundial de cidades relacionadas à Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE, 2021). Nos últimos anos, o debate sobre o papel do território na formação das pessoas norteou a elaboração de políticas públicas que compreendem a cidade como território educativo. Experiências de projetos urbanos, como as unidades de vizinhança de Clarence Perry em Nova Iorque na década de 20, os projetos educacionais, como os Parques Infantis de Mário de Andrade em São Paulo na década de 30, as Escolas Parque de Anísio Teixeira na década de 50 e experiências de projetos políticos como o Estatuto das Cidades de 2001, são apenas alguns exemplos, entre outros, que demonstram a forte relação entre Cidade – Educação. “O binômio – Cidade e Educação – propõe uma articulação permanente de modo que os diversos agentes da cidade se corresponsabilizem pela educação [...]”. (SILVA, 2019, p. 11). Diversas experiências em diferentes aspectos (urbanos, educacionais ou políticos) já ocorreram e continuam ocorrendo com o intuito de articular Cidade e Educação. No Brasil há algumas experiências de cidades consideradas educadoras, tais como Porto Alegre, Santos, Sorocaba e Maranguape (NOGUEIRA, 2015). Analisando essas cidades, constata-se que implementaram diferentes projetos de acordo com o contexto local, mas possuem em comum a melhoria da interface da escola com a cidade, sendo que algumas criaram equipamentos comunitários e espaços públicos abertos. Determinados ambientes podem promover a interação social e a aprendizagem, além de uma valorização dos lugares públicos, como pode ser observado na síntese das iniciativas de cada cidade, no quadro abaixo. Cidades Educadoras Espaços abertos e equipamentos públicos para lazer e atividades culturais / conexão entre organizações sociais e escolas Porto Alegre RS (Brasil) foco no ensino formal e educação integral/ espaços abertos e equipamentos públicos Sorocaba SP (Brasil) espaços abertos e equipamentos públicos de interesse recreativo e ambiental Cachoeira CE (Brasil) foco no museu, como espaço agregador e gerador de interações sociais INTRODUÇÃO Conceber a cidade para que seus espaços sejam educadores, a partir do projeto de Arquitetura e Urbanismo que considera soluções, formas e funções que estimulem a aprendizagem socioambiental é um caminho relevante para as práticas das Cidades Educadoras, assim como para o atendimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável. As escolas têm papel essencial na formação individual e coletiva das pessoas, e os espaços das cidades são lugares oportunos para potencializar os conhecimentos apreendidos nos ambientes institucionais de educação, pois são espaços apropriados à vivência de experiências práticas, além de fomentarem outras visões, para além das teorias e investigações do cotidiano escolar. A cidade projetada, em todos seus espaços, poderá desenvolver, estimular e garantir o crescimento, o aprendizado, a reelaboração da cultura e as trocas humanas para que cada pessoa cresça enquanto sujeito social (MORIGI, 2014). Princípios das Cidades Educadoras precisam avançar fronteiras da área da Educação e podem ser aplicados no processo de projeto de Arquitetura e Urbanismo, área do saber que aprofunda as qualidades espaciais das cidades sob múltiplos enfoques. As dimensões das cidades, se bem articuladas com as especificidades de cada lugar e comunidade, podem criar espaços de intermediação e interlocução para as reflexões necessárias ao ser humano, diante os desafios e as portunidades do século XXI. Assim, esse estudo de caráter exploratório, busca identificar possíveis contribuições da Arquitetura e Urbanismo na implementação dos princípios de Cidades Educadoras. Tendo como premissa que a cidade pode se transformar em um agente educador, percebe-se que a sinergia de conceitos pedagógicos sobre a Cidade Educadora e a Arquitetura e Urbanismo podem também ser um meio eficaz de contribuir para as cidades atenderem os objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030, especialmente o objetivo 11 - Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Tabela 1 - Síntese das iniciativas das cidades educadoras analisadas. Figura 1 – Mapa distribuição das 34 Cidades Educadoras brasileiras. Fonte: Associação Internacional de Cidades Educadoras (2023). https://www.edcities.org/redebrasileira/ Ainda, diversas outras cidades criam iniciativas para a articular o ambiente escolar com a cidade. Em São Leopoldo, por exemplo, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, mesmo não sendo classificada como Cidade Educadora tem programas com foco na educação como promotora da cultura cidadã, comunitária e do “bem viver” na cidade, aproximando comunidade e políticas públicas, na direção da sustentabilidade dos territórios urbanos, tais como: (a) Mais Educa São Leo; (b) São Leo Mais Comida no Prato; (c) Busca Ativa Escolar e (d) Programa de Educação para a Sustentabilidade na Cidade – PESC.

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