88 Eixo II - Produção de conhecimento na interface com a cidade educadora Coord.: Luciana Maines da Silva ESCOLAS COMO ATORES DE ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DE CIDADES INTELIGENTES: UMA METASSÍNTESE Luciana Maines da Silva1; Michelle Kremer Sott2 1Mestrado Profissional em Gestão Educacional – lucianamaines@Unisinos.br 2Programa de Pós-graduação em Administração Universidade do Vale do Rio dos Sinos METODOLOGIA Para atender ao objetivo deste estudo, optou-se por realizar uma metassíntese. O método baseia-se em estudos de caso qualitativos, produzindo uma interpretação nova e integrativa dos achados, mais substancial do que os resultados de investigações individuais (Silva et al., 2019). O método, desenvolvido por Hoon (2013), inclui oito etapas, a saber: (1) enquadramento da questão de pesquisa, (2) localização de pesquisas relevantes, (3) critérios de inclusão/exclusão, (4) extração e codificação dos dados, (5) análise em nível de caso específico e, por fim, (6) síntese em nível de estudo cruzado, (7) construção da teoria a partir da metassíntese e (8) discussão. A coleta de dados ocorreu entre os dias 10 e 12 de julho de 2022, nas bases de dados Web of Science, SCOPUS e Ebsco. Inicialmente, foi realizada uma busca pelos termos "ecossistema de inovação", "smart cit*", "cidade sustentável*" e "educação empreendedora", cruzando cada um deles com os termos "ensino fundamental" e "ensino médio". Os autores realizaram uma nova busca, utilizando o termo "educação empreendedora", cruzando também com os termos "ensino fundamental" e "ensino médio". No total, foram identificados 101 artigos. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 10 artigos foram analisados. Cada um apresentou apenas um caso, que foi explorado individualmente. Essa análise revelou que as escolas (60% no ensino médio e 40% no ensino fundamental) possuem diversas ações que desenvolvem habilidades empreendedoras fora do ecossistema de inovação. O resultado da análise é apresentado na próxima sessão. CONCLUSÃO As escolas ainda têm um papel menor nos ecossistemas de inovação e nas cidades sustentáveis e inteligentes. Apesar do discurso sistemático sobre o papel relevante do cidadão na construção de cidades inteligentes (Petralia, 2020), os alunos do ensino fundamental e médio ainda são negligenciados. Gestores escolares e formuladores de políticas públicas também precisam construir alternativas para ampliar o papel das escolas nesses contextos. Nesse sentido, há um caminho para estudos futuros, principalmente empíricos, que melhor descrevam as ações da escola. Também é importante que pesquisas futuras se concentrem no papel de diferentes atores nos ecossistemas de inovação em termos de seu potencial para estimular e ajudar as escolas na formação de jovens e reforçar a contribuição positiva de diferentes atores do ecossistema de inovação para incentivar o empreendedorismo nas escolas de ensino fundamental e médio. REFERÊNCIAS da Silva Coelho, E. C. (2020). Educação Empreendedora: proposta metodológica para o ensino de empreendedorismo no ensino médio. Humanidades & Inovação, 7(7), 559-566. de Lourdes Cárcamo-Solís, M., del Pilar Arroyo-López, M., del Carmen Alvarez-Castañón, L., & GarcíaLópez, E. (2017). Desenvolver o empreendedorismo nas escolas primárias. A experiência mexicana de "Meu primeiro empreendimento: Empreender brincando ". Ensino e Formação de Professores, 64, 291304. Gomes, D. C., & de Farias Silva, L. A. (2018). Educação empreendedora no ensino profissional: desafios e experiências numa instituição de ensino. Holos, 1, 118-139. Hoon, C. (2013). Metassíntese de estudos de caso qualitativos: uma abordagem para a construção de teorias. Métodos de Pesquisa Organizacional, 16(4), 522–556.. RESULTADOS E DISCUSSÃO A primeira dimensão diz respeito à relação entre as escolas e o ecossistema de inovação (IE). Ao considerar que uma EI é um sistema complexo composto por diferentes atores (de Vasconcelos Gomes et al., 2018), universidades, governos, corporações, investidores e fundações, entre outros, destacam-se como atores (Mello et al., 2022). Ao analisar os casos, pouca conexão foi percebida com o ecossistema de inovação. Os estudos destacam atores como uma associação civil (composta por universidades, setor privado, câmara industrial, governo e conselho nacional de ciência e tecnologia) (de Lourdes CárcamoSolís et al., 2017), pequenas e grandes empresas e instituições sociais (Gomes & de Farias Silva, 2018), centros de pesquisa (Veety et al., 2018) e universidades (Mazocco et al., 2021). Percebeu-se também uma diferença na relação com os atores. Com base nesses achados, apresentamos a Proposição 1. Líderes de cidades inteligentes e sustentáveis podem estabelecer políticas para integrar diferentes atores do ecossistema (de inovação/empreendedorismo) com as escolas. A literatura e a prática das cidades inteligentes sugerem que elas são ecossistemas com múltiplos stakeholders (Camboim et al., 2019) formados entre atores (Jackson, 2011). Os decisores políticos e os líderes de projetos devem considerar que as escolas e os estudantes podem contribuir para uma futura geração de cidadãos, muito mais adaptados e orientados para viver e melhorar a cidade (inteligente). A segunda dimensão diz respeito às ações e/ou ferramentas desenvolvidas/utilizadas para incentivar o empreendedorismo estudantil. Pode-se antecipar que a escola não propôs ou aplicou algumas das ações/ferramentas, mas por pesquisadores, principalmente em universidades, que as aplicaram aos alunos. Com base nas ações/ferramentas apresentadas, estabeleceu-se a Proposição 2. Os alunos precisam ser estimulados por ferramentas práticas ou experienciais para compreender melhor o contexto da cidade inteligente/sustentável. Metodologias vivenciais como o ensino de STEM baseado na lógica da inovação aberta (Lee & Jung, 2021) ou a elaboração de um plano de negócios, criando um produto ou serviço e comercializando-o (Lizote et al., 2020) fazem com que os alunos percebam o contexto e busquem alternativas, com base nos conhecimentos aprendidos na escola. A terceira e última dimensão diz respeito à contribuição dessas ações/ferramentas para cidades inteligentes e sustentáveis. Aqui, a conexão com cidades inteligentes foi analisada, com base na conexão com o desenvolvimento e a inovação tecnológica (Jackson, 2011). Além de algumas ferramentas e ações relacionadas a cidades inteligentes, elas não foram desenvolvidas por escolas, mas por universidades e associações civis. Em relação a esses achados, estabelecemos a Proposição 3. As escolas devem aumentar a aplicação de ações e ferramentas que conectem as necessidades das cidades inteligentes. A partir das ações aplicadas na escola, os alunos vão entender o que é uma cidade inteligente e as potencialidades que podem ser exploradas. As escolas podem desenvolver iniciativas de engajamento baseadas na comunidade aplicando a internet das coisas (IoT), inteligência ambiental e crowdsourcing (Lee & Wong, 2017). Ao final, trazendo de volta a discussão sobre o papel menor das escolas nas cidades inteligentes, estabelece-se a Proposição 4. As escolas têm conhecimento e potencial para desenvolver ações e ferramentas e devem ser mais proativas no fortalecimento de laços com outros atores do ecossistema. Ao analisar os artigos selecionados e extrair os dados, foi necessário estabelecer uma escala de conexão composta pelos fatores sem conexão, baixa, média e alta conexão (Tabela 1). A escala de relacionamento entre escolas e atores de EI considera o grau de integração e participação da escola nas ações. A conexão das ações/ferramentas com cidades inteligentes é baseada na relação com os conceitos já apresentados. INTRODUÇÃO As iniciativas de cidades inteligentes revolucionaram o desenvolvimento urbano sustentável (Hollands, 2015), baseadas, entre outras iniciativas, no desenvolvimento de um ambiente que incentive o empreendedorismo (Richter et al., 2015). Um elemento-chave de uma cidade inteligente é a educação inteligente - a espinha dorsal para o desenvolvimento bem-sucedido e cada vez maior de iniciativas de cidades inteligentes (Barba-Sánchez et al., 2021). Educação, aprendizagem e conhecimento são elementos críticos para o sucesso de iniciativas de cidades inteligentes (Leahy et al., 2016). A escola, muitas vezes, não é citada como um dos atores locais (Lombardi et al., 2012; Albino et al., 2015). Dessa forma, o objetivo principal deste estudo é analisar como as ações de empreendedorismo de escolas de ensino fundamental e médio se conectam com cidades inteligentes. Especificamente, foram consideradas três dimensões: (1) as escolas se relacionam com o ecossistema de inovação; (2) ações e/ou ferramentas desenvolvidas/utilizadas para incentivar o empreendedorismo nos estudantes; e, por fim, (3) ações/ferramentas que contribuam para cidades inteligentes e sustentáveis. Tabela 1 - Atores, ações/ferramentas e conexões de conceitos Fonte: As autoras. Artigo Atores do ecossistema com os quais a escola se relaciona Ações/ferramentas utilizadas para o estímulo ao empreendedorismo Conexão com Cidade Inteligente 1 de Lourdes CárcamoSolís et al., 2017 CONEXÃO MÉDIA - Associação Civil (composta por universidades, setor privado, câmara industrial, governo e conselho nacional de ciência e tecnologia) Meu primeiro empreendimento: Empreender brincando" é um subprograma educacional mexicano projetado para promover o empreendedorismo no nível elementar. SEM CONEXÃO - A maioria das miniempresas referia-se a atividades econômicas de produção industrial, joalheria, artesanato e alimentação. 2 Gomes & de Farias Silva, 2018 CONEXÃO MÉDIA - Visite pequenas e grandes empresas e instituições sociais como o Centro de Dependentes Químicos Ágape e o Abrigo de Idosos Mons. Paulo Herôncio, a Casa dos Pobres, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e o Centro de Referência de Assistência Social. Visitas a pequenas e grandes empresas; palestras de empreendedores; visitas a instituições sociais; trabalho de criação de novas empresas/produtos. SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com aspectos tecnológicos. 3 da Silva Coelho, 2020 BAIXA CONEXÃO - Os alunos tiveram uma palestra sobre empreendedorismo, inovação, startup, patentes e captação de recursos. Concurso de ideias para startups (programa conta com palestras, aulas e workshops para o uso de ferramentas como Canvas, pitch) SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com aspectos tecnológicos. 4 Morakinyo & Akinsola, 2019 SEM CONEXÃO - Os alunos participam do programa Jumpstart, mas que não está diretamente ligado às escolas Não apresentado. SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com aspectos tecnológicos. 5 Veety et al., 2018 BAIXA CONEXÃO - Alunos e professores participam do desafio proposto pelo Centro de Pesquisa em Engenharia de Nanossistemas para Sistemas Avançados Autoalimentados de Sensores e Tecnologias Integradas (ASSIST CENTER) O Wearable Device Challenge (WDC) foi CONEXÃO MÉDIA - Aplicar o processo de projeto de engenharia para resolver problemas do mundo real por meio de uma abordagem baseada em projetos, tendo a oportunidade de explorar aplicações empolgantes e de ponta da ciência e tecnologia que os inspirarão a continuar nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 6 Zulkarnaen et al., 2019 SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com o ecossistema de inovação. Método de ensino de ciências a partir do olhar de pessoas inteligentes - a conexão entre alunos, professores e pais. CONEXÃO MÉDIA - Apropria-se da perspectiva de aprendizagem baseada em cidades inteligentes. 7 Rahmayanti et al., 2018 SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com o ecossistema de inovação. Não apresentado. CONEXÃO MÉDIA - Utiliza a lógica do ambiente inteligente, que se tornou um dos seis indicadores de cidades inteligentes. 8 Scholten, 2017 BAIXA CONEXÃO – Universidade Geocraft - Geocraft fornece um excelente ambiente virtual 3D interativo em um nível bem escolhido de abstração para visualizar, projetar e explorar cenários futuros, aumentando a percepção espacial e a compreensão mútua. Trata-se de uma ferramenta de fácil utilização para facilitar a participação e o envolvimento efetivos dos cidadãos. ALTA CONEXÃO - Use Minecraft para ensinar consciência geográfica e espacial, al'ém para a participação cidadã oportunista. 9 Masucci et al., 2020 SEM CONEXÃO - Nenhum elemento do artigo se conecta com o ecossistema de inovação. Programa educacional de verão para jovens negros de escolas públicas de ensino médio, que combina o desenvolvimento de habilidades digitais com trabalho de campo urbano para prototipar soluções para problemas urbanos de longa data. ALTA CONEXÃO - Prototipando soluções para problemas urbanos de longa data: o problema que as políticas de cidades inteligentes buscam mudar. 10 Mazocco et al., 2021 BAIXA CONEXÃO – Universidade Uma ferramenta educacional para o ensino de conceitos de energias renováveis e geração distribuída. ALTA CONEXÃO - ferramenta digital desenvolvida para apoio ao ensino.
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