89 Eixo II - Produção de conhecimento na interface com a cidade educadora Coord.: Luciana Maines da Silva GESTÃO DO CONHECIMENTO NO ENSINO SUPERIOR PRIVADO: Instituições de Educação Superior (IES) como agentes de transformação social Lenaíla Fernanda Gomes Ventura e Luciana Maines da Silva Programa de Pós-Graduação em Gestão Educacional - Mestrado Profissional da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. E-mail: lena.ih.la@gmail.com e lucianamaines@unisinos.br METODOLOGIA A pesquisa é de caráter qualitativa, busca-se entender como as instituições de Educação Superior privada, agem como transformadoras da sociedade, utilizando para isso, a aplicação da gestão do conhecimento. Para desenvolver o estudo, o método adotado é o exploratório, buscando conceituar os termos utilizados e alcançar seu maior entendimento. A exploração de documentação institucional assume o caráter de estudo de caso único, com a concepção de entrevistas a serem realizadas direcionadas à direção geral, a direção acadêmica, a secretaria financeira, a secretaria acadêmica, equipe técnica, administrativa e apoio. (ALVES-MAZZOTTI, 2006, p. 650). A realização das entrevistas se deu de forma semiestruturada, visto que pôde sofrer alterações no decorrer de seu planejamento, pois elas podem sofrer modificações no decorrer da entrevista. A entrevista foi direcionada aos setores que constituem a organização da IES escolhida como objeto de estudo. Reunidas as informações necessárias para o entendimento e afirmação da pesquisa, os dados a serem coletados serão analisados sobre a indicação de Bardin (2011), com a utilização da análise de conteúdo que prevê três fases fundamentais, entre préanálise, exploração do material e tratamento dos resultados. Esses resultados ajudarão no panorama de como a IES atua na construção do conhecimento. Nesse sentido, a pesquisa será centrada em um estudo de caso único, contando com foco na delimitação da pesquisa, a facilidade de observação e intervenções práticas. Nesse sentido, a Faculdade de Santa Cruz da Bahia - FSC é a escolhida como observação. A escolha da IES citada se dá por ser o ambiente ao qual trabalho e posso tanto observar, quanto posso atuar. Favorece a pesquisa no sentido de acessibilidade ao espaço da IES, tanto de organização, quanto de gestão de pessoas e de processos, já que estou inserida nesse mesmo âmbito, em contraposição a pesquisa se fosse realizada em outra IES em que não teria tanta oportunidade de acompanhar os processos de forma mais qualitativa. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos dados analisados e da bibliografia, ações foram estabelecidas na busca de entender as fragilidades da IES, compartilhando e buscando resoluções imediatas, pois é importante esse convívio continuado e geração de fluxo de trabalho efetivo. Ações simples, mais pontuais como reuniões regulares, feedbacks construtivos, sem retaliações, a confecção de relatórios parciais para consulta de metas cumpridas ou não, bem como o esforço para tornar os setores menos intrusivos entre si e mais compenetrados em suas atividades. O presente estudo apresentou algumas limitações. Destacam-se, entre elas, o pequeno número de respondentes, o pouco acesso a informações contidas nos documentos institucionais, visto que são consideradas estratégicas, a inexperiência da pesquisadora. Como é um trabalhado com intenção construtiva, é relevante que esse trabalho siga sendo aprimorado com o decorrer do tempo pela própria pesquisadora, atualizando as informações contidas nele, pois contém temas e informações válidas sobre a criação e construção do conhecimento e isso tem sua parcela de relevância para continuar os estudos para que seja ponto de partida de outras pesquisas. Ao final desse trabalho, as considerações são positivas, visto que proporcionou o conhecimento de conceitos até então não evidentes do papel da IES, do papel transformador, do papel da comunidade, bem como das políticas públicas e seus atores, para tornar a educação em algo transformador em longo prazo REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, A.J.;GEWANDSZNAJDER, F. O Método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 2004. ARAÚJO, André Luiz Santos de. Gestão da qualidade: implantação das Ferramentas 5S’s e 5W2H como plano de ação no setor de oficina em uma empresa de automóveis na cidade de João Pessoa-PB. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia de Produção Mecânica) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017. BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. BAUMARD, Philippe. Les organisations déconcertés: Ia gestion stratégique de la connaissance. Paris: Masson, 1996.GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997. LUCINDA, Marco Antônio. Análise e melhoria de processos: uma abordagem prática para micro e pequenas empresas. [S. l.]: Simplíssimo Livros, 2016. PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G. The core competence of the corporation. Harvard Business Review, Boston, p. 79-91, May/Jun. 1990 RESULTADOS E DISCUSSÃO O papel da IES é atribuído ao processo formador e transformador, e isso se vale do pensamento e intelecto humano, com auxílio das tecnologias, pois elas não podem ser as protagonistas, são facilitadoras, pois é necessário alguém que conceba e manuseie as tecnologias. Exemplificando esse pensamento, mesmo que tenham divisões e conceitos pré-definidos, as IES possuem os mesmos princípios educativos e tomando nota de que Mikhail Epstein (2012) afirma que a IES não é um centro comercial, uma loja para clientes de diplomas e de profissões, e também não é uma rede de informações ou um supermercado intelectual: a IES é uma instituição humanista e o seu propósito é educar humanos por humanos para o bem da humanidade. O que é verdade para a IES é verdade para toda a educação e para todas as outras definições de espaços educacionais, como as faculdades privadas, objeto central da pesquisa aqui delineada. Investigar as ações de instituições não é tarefa simples de ser executada. Há nuances e contextos que fazem delas incógnitas no seu modo de existir e operacionalizar, o que pode ser devido a uma imagética adotada acerca de seu funcionamento, e que pode ser tomada como um tipo de padronização. Essa padronização pode auxiliar no bom funcionamento da organização, no fluxo, no clima, na cultura, na liderança, no engajamento, na entrega, e se as pessoas que atuam conseguem desenvolver suas atividades profissionais e se desenvolver.. O foco aqui apresentado está voltado para instituições de Educação Superior, visto que são locais formadores de opiniões e ações voltadas a mudanças e transformações sociais como fruto da educação. A partir dos dados da presente pesquisa, são propostas ações de melhoria para os processos da IES, com base nos achados em documentos institucionais. As propostas de ações se assemelham às já levantadas pela própria IES, porém não foram postas em atividade em boa parte do tempo. INTRODUÇÃO As instituições de Ensino Superior são caracterizadas por serem organizações especializadas, que formam pessoas qualificadas, influenciam a capacidade de absorção de conhecimentos pela sociedade, ou seja, elevam a capacidade da sociedade de compreender tecnologias e conhecimentos externos (não produzidos nela) e, consequentemente, aumentam a capacidade de a sociedade utilizar esses conhecimentos. Isso possibilita que a sociedade possa produzir novos conhecimentos. O presente estudo tem por objetivo analisar as estratégias de gestão do conhecimento utilizada por IES brasileiras. Para tanto, foi feita uma pesquisa empírica que apresentam ações de gestão do conhecimento em IES. A maior representatividade das pesquisas corresponde a gestão da qualidade no atendimento e no serviço, no intuito de melhorar os processos e assim, angariar maiores fatias de mercado. A temática recai sobre a qualidade dos serviços, não tratando o problema de forma mais incisiva, sobre como é a estrutura da organização, como ela é organizada, quais os processos e decisões responsáveis pelo sucesso e fracasso delas. Quadro 1 –GESTÃO DO CONHECIMENTO NO ENSINO SUPERIOR PRIVADO: Instituições de Educação Superior (IES) como agentes de transformação social REFERENCIAL TEÓRICO Prahalad e Hamel (1990) atribuem ao conhecimento e ao aprendizado de uma organização a qualidade de serem as principais fontes de recursos para a criação da vantagem competitiva. Baumard (1996); Roos, apud Seleme e Gonçalves (1994), também ressaltam a Importância da Gestão do Conhecimento nas organizações, denotando que o assunto já é altamente discutido entre os diversos autores contemporâneos. Nesse sentido, se é compressivo que a educação se vincule as práticas da sociedade com intuito de desenvolvê-la, porém o que se observa é o aspecto social sendo deixado de lado, para que apenas o aspecto econômico tenha maior expressividade quando se busca educação, desde a básica até a superior, onde mesmo o apelo para seu ingresso apela pelo “seu futuro depende disso”, ou “mercado espera por você”, ou seja, espera-se mão de obra especializada, não necessariamente se espera consciência social, a não ser que se tenha interesse econômico, como passar a imagem de responsabilidade social e ambiental. O conhecimento é um dos fatores que possibilitou as transformações sociais e tem possibilitado a humanidade em sua caminhada até o futuro que tanto almeja, para ajudá-la nesse sentido, a figura da educação é um dos principais meios facilitadores para tal, e em específico a educação superior, que oferece formação em uma área específica, que permite o desempenho de uma profissão que exija uma formação própria. Na visão de Davenport e Prusak (1998), as organizações estão se convencendo de que entender o conhecimento é uma condição essencial para a criação de vantagem competitiva e sobrevivência no mercado globalizado. O plano de ação foi formulado de acordo ao modelo do “5W2H”, onde Araújo (2017) entende que o “5W2H” auxilia nas decisões a serem tomadas para quem quer implementar um plano de ação de melhorias, constituindo uma maneira para estruturar os pensamentos de maneira bem elaborada, planejada e precisa. Lucinda (2016) esclarece que o “5W2H” é o inicial de sete perguntas a serem respondidas, a fim de que sejam descortinadas quaisquer dúvidas acerca do que deve ser feito. 5W e 2H são iniciais de perguntas em inglês. Dessa forma, a ferramenta tem a capacidade de identificar quem serão os responsáveis pelas atividades, o que se deve fazer, quanto tempo tem para realizá-las, quanto vai custar, o porquê de se fazê-las e quando vão ser realizadas. De acordo com o Tabela 1, as propostas de ações se valem de questões simples que podem ser implantadas para buscar a melhoria dos processos. Não se busca ações mais complexas de intervenção, mas sim, abordagens sutis que fazem diferença, para assim, partir para questões de alta complexidade. Em descrição, a escolha começa com a busca de periodicidade razoável das reuniões com a direção geral, visto que não são tão recorrentes, no intuito de ouvir os setores e suas demandas e buscar soluções e estratégias frente o aval ou não da direção. Seguindo com o planejamento das ações acordadas por todos durante as reuniões, divulgando os resultados obtidos com a implantação dessas ações, sejam positivos ou negativos. Com a opinião das reuniões, há a utilização desses retornos, bem como a elaboração de documentos que deixem registrados todas as ações, implantações, mudanças, idéias e seus idealizadores. Essas ações visam observar a IES, até mesmo com base na análise ou matriz SWOT – em português, análise ou matriz FOFA. A menção desse método é oportunizada, pois ele se propõe avaliar o planejamento estratégico da IES, para tomada de decisões, observando a sua composição em 04 fatores, sendo estes em inglês: Strength, Weakness, Opportunities e Threats e em português: Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Há o entendimento de que a educação é fator decisivo para que haja transformação de algo, seja social, seja econômico. Ainda é presente o desconhecimento até por parte da população sobre como se desenvolve as ações e atividades da IES, que necessita de investimento privado para infraestrutura, contratação de profissionais capacitados para exercer suas atividades de forma efetiva, englobando todo e qualquer indivíduo que adentre a IES.
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